Pastor Antônio Junior

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O que é o quietismo? Ficar em silêncio diante de Deus é a mesma coisa?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Não. Quietismo não é simplesmente orar em silêncio ou buscar um momento de paz com Deus. O nome se refere a um ensinamento espiritual segundo o qual a pessoa deve aquietar tanto a própria vontade que passe a agir o mínimo possível interiormente, deixando Deus agir nela. Em algumas formas desse ensinamento, a contemplação passiva era apresentada como caminho pra uma união especial com Deus e até pra uma vida sem pecado.

Essa diferença importa porque a Bíblia valoriza a quietude, mas não ensina que a passividade nos torna santos. No Salmo 131:2, o salmista fala de uma alma aquietada diante de Deus. Jesus também procurava lugares solitários pra orar (Marcos 1:35). Podemos, portanto, ficar em silêncio, orar e esperar com confiança no Senhor. O problema não está no silêncio; está em tratá-lo como um método capaz de nos levar à perfeição espiritual.

O quietismo ganhou destaque em círculos católicos europeus no século 17, especialmente por meio dos ensinamentos de Miguel de Molinos. Em 1687, o papa Inocêncio XI condenou várias de suas proposições. Outros nomes, como Madame Guyon e François Fénelon, aparecem nas discussões daquele período, embora não seja correto tratar tudo o que cada um ensinou como se fosse a mesma coisa.

À luz da Bíblia, a principal dificuldade é esta: não nos tornamos sem pecado por deixar de sentir desejos ou por esvaziar a mente. João diz que enganamos a nós mesmos se afirmamos não ter pecado (1 João 1:8). Nossa reconciliação com Deus vem por meio de Jesus Cristo, recebida pela fé (Romanos 5:1). E o crescimento na vida cristã acontece pela ação de Deus em nós, ligada à verdade da sua Palavra, não a uma técnica de contemplação (João 17:17).

Além disso, confiar em Deus não significa abandonar a responsabilidade de obedecer. A Bíblia nos chama a orar, amar, servir e ensinar. Jesus, que orava a sós, também cuidava das pessoas e enviou seus discípulos pra fazer outros discípulos (Mateus 28:19-20). Essas coisas não competem com a oração; fazem parte da vida de quem segue a Cristo.

Por isso, nem toda oração silenciosa deve ser chamada de quietismo, e não é justo julgar uma prática apenas porque ela envolve silêncio. A pergunta mais útil é: o que se espera desse silêncio? Se ele nos ajuda a orar, lembrar a Palavra de Deus e confiar nele, pode ser bom. Se é apresentado como um caminho pra apagar nossa vontade, alcançar uma condição sem pecado ou obter uma união com Deus que a Bíblia não promete, aí está o erro do quietismo.