Tamuz era uma divindade adorada em povos da antiga Mesopotâmia, região onde hoje fica o Iraque. Em algumas tradições, ele também era chamado de Dumuzi e aparecia como um pastor ligado à fertilidade dos rebanhos e das plantações. As histórias contadas sobre ele falavam de sua ida ao mundo dos mortos e, em certas versões, de seu retorno. Por isso, havia rituais de lamento por Tamuz.
A Bíblia o menciona em uma cena preocupante. Numa visão, Deus mostrou ao profeta Ezequiel mulheres sentadas junto à entrada do templo de Jerusalém, chorando por Tamuz (Ezequiel 8:14). O problema não era o choro em si. Era o motivo: elas participavam de um costume religioso ligado a outro deus, justamente no lugar dedicado à adoração do Senhor.
Essa cena fazia parte de uma visão maior. Ezequiel viu outras práticas idólatras associadas ao templo, e Deus mostrou como seu povo havia se afastado dele (Ezequiel 8). Assim, o nome Tamuz aparece na Bíblia não pra ensinar seu culto ou confirmar suas histórias, mas pra mostrar até que ponto a idolatria havia entrado na vida religiosa de Jerusalém.
É importante distinguir as duas coisas: Tamuz era uma figura das crenças de outros povos; Jesus é apresentado no Novo Testamento como alguém que morreu e ressuscitou em acontecimentos testemunhados por seus seguidores (Atos 2:32; 1 Coríntios 15:3-8). O fato de existirem histórias antigas sobre uma divindade que vai ao mundo dos mortos não prova que a ressurreição de Jesus tenha sido copiada delas. As histórias sobre Tamuz variavam e estavam ligadas, entre outras coisas, à fertilidade da natureza. Já os apóstolos anunciavam que Jesus morreu pelos pecados e ressuscitou de uma vez por todas (Romanos 6:9-10; 1 Coríntios 15:3-4).
Portanto, se a pergunta é quem era Tamuz na Bíblia, a resposta mais direta é: uma divindade estrangeira por quem algumas mulheres lamentavam junto ao templo de Jerusalém. Ezequiel registra a cena porque aquele culto mostrava o abandono da adoração devida somente a Deus.