John Wesley foi um pastor anglicano inglês que ajudou a iniciar o movimento metodista. Ele viveu de 1703 a 1791 e dedicou grande parte da vida a anunciar a mensagem de Jesus. Pra entender por que ficou tão conhecido, vale olhar primeiro pra uma pergunta que ele próprio teve de enfrentar: conhecer a Bíblia e fazer coisas boas é o mesmo que confiar em Cristo para ser salvo?
Wesley cresceu numa família cristã e estudou na Universidade de Oxford. Ali, ele e outros estudantes, entre eles seu irmão Charles, se reuniam pra orar, estudar a Bíblia, participar da comunhão e ajudar pessoas necessitadas. Levavam essas práticas tão a sério que receberam o apelido de “metodistas”, por seguirem um método regular de vida cristã. O nome, que começou como apelido, acabou ficando.
Em 1735, Wesley foi para a colônia da Geórgia, na América do Norte, onde esperava servir como pastor e missionário. A experiência foi difícil. Na viagem de navio, uma tempestade o deixou com medo da morte, enquanto cristãos morávios que estavam a bordo demonstraram uma confiança que chamou sua atenção. Depois de voltar à Inglaterra, Wesley passou a refletir mais profundamente sobre a própria fé.
Um momento decisivo aconteceu em 24 de maio de 1738, numa reunião em Londres. Ao ouvir uma explicação sobre a fé em Cristo, Wesley registrou em seu diário que passou a confiar em Cristo para sua salvação e recebeu a certeza do perdão de seus pecados. É preciso cuidado ao falar desse momento: cristãos interpretam de maneiras diferentes o que exatamente mudou ali — se foi sua conversão ou se ele passou a ter uma certeza da fé que antes lhe faltava. O que está claro é que aquela experiência marcou profundamente sua vida e sua pregação.
Wesley passou a anunciar com força que ninguém é aceito por Deus porque ora bastante, conhece a Bíblia ou pratica boas obras. Essas coisas têm seu lugar na vida cristã, mas não compram o perdão. Segundo o evangelho, somos salvos pela graça de Deus, por meio da fé em Jesus Cristo (Efésios 2:8-10). E essa fé não fica só nas palavras: ela transforma a maneira de viver e nos leva a amar o próximo (Tiago 2:17).
Essa mensagem levou Wesley a pregar em igrejas, mas também ao ar livre, muitas vezes pra pessoas que dificilmente ouviriam um sermão dentro de um templo. Ele viajava constantemente, organizava pequenos grupos de acompanhamento cristão e preparava pregadores pra visitar diferentes localidades. Também apoiou ações de ajuda aos pobres, educação, reforma das prisões e oposição à escravidão. Embora tenha permanecido pastor da Igreja Anglicana até morrer, o movimento que ajudou a formar deu origem, mais tarde, a igrejas metodistas em vários países.
Alguns pontos do ensino de Wesley continuam sendo discutidos entre cristãos evangélicos. Ele ensinava que Deus oferece sua graça a todos e que uma pessoa pode resistir a ela — posição diferente da de cristãos que defendem a eleição incondicional. Wesley também dava grande importância à santificação: cria que Deus podia transformar profundamente o coração do cristão, especialmente no amor a Deus e às pessoas. Quando falava em “perfeição cristã”, não queria dizer que alguém se tornaria incapaz de errar ou deixaria de precisar da graça de Deus.
Em resumo, John Wesley foi um dos principais líderes de um movimento que uniu pregação do evangelho, cuidado com a vida espiritual e serviço ao próximo. Sua história também deixa uma distinção importante: práticas religiosas podem ser valiosas, mas o centro da fé cristã não é o nosso esforço para alcançar Deus. É a confiança em Jesus Cristo e na graça que Deus nos oferece por meio dele.