O Evangelho não diz o nome de quem o escreveu. Mesmo assim, a resposta mais aceita desde os primeiros séculos do cristianismo é Lucas, médico e companheiro do apóstolo Paulo.
Há uma distinção importante aqui: o livro não se identifica como obra de Lucas; essa identificação vem da tradição cristã antiga. Ela combina bem com o que encontramos no Novo Testamento. Paulo chama Lucas de médico e o menciona entre seus colaboradores (Colossenses 4:14; Filemom 24). Mais tarde, diz que Lucas continuava com ele (2 Timóteo 4:11).
Também há uma ligação clara entre o Evangelho de Lucas e o livro de Atos. Os dois são dirigidos a Teófilo. Logo no começo de Atos, o autor se refere ao seu primeiro livro, no qual contou o que Jesus fez e ensinou (Lucas 1:1-4; Atos 1:1-2). Em algumas partes de Atos, a narrativa passa a dizer “nós”, indicando que o autor participou de trechos das viagens que estava contando (por exemplo, Atos 16:10-17). Isso combina com a identificação de Lucas como companheiro de Paulo, embora o uso de “nós”, sozinho, não prove o nome do autor.
Lucas não afirma ter acompanhado Jesus durante seu ministério. Pelo contrário, na abertura do Evangelho, ele explica que investigou os acontecimentos e se baseou no que foi transmitido por pessoas que os testemunharam. Seu objetivo era apresentar a Teófilo um relato bem organizado, pra que ele tivesse segurança sobre aquilo que havia aprendido (Lucas 1:1-4).
Portanto, podemos responder com confiança, sem dizer mais do que as evidências permitem: a tradição cristã antiga identifica Lucas como o autor do Evangelho e de Atos. O próprio Evangelho não traz sua assinatura, mas explica como o autor preparou seu relato sobre Jesus e por que o escreveu.