A resposta tradicional é Moisés. Levítico é o terceiro dos cinco primeiros livros da Bíblia, e tanto a tradição judaica quanto a cristã o associam a ele. Mas vale fazer uma distinção: o livro não diz diretamente “Moisés escreveu Levítico”. O que ele mostra, repetidas vezes, é Deus dando instruções a Moisés pra que fossem transmitidas ao povo de Israel.
Essas instruções aparecem logo no começo do livro (Levítico 1:1). Elas tratam dos sacrifícios, do trabalho dos sacerdotes, da pureza e de como Israel deveria viver como povo separado pra Deus. Levítico continua a história de Êxodo: depois de o tabernáculo ser construído, Deus ensina o povo a se aproximar dele e a adorá-lo.
O Novo Testamento também liga a Moisés leis que encontramos em Levítico. Quando Jesus cura um homem com lepra, manda que ele apresente a oferta determinada por Moisés (Mateus 8:4; veja Levítico 14). Lucas chama de “Lei de Moisés” as regras de purificação relacionadas ao nascimento de Jesus (Lucas 2:22; veja Levítico 12). Essas passagens sustentam a ligação entre Moisés e as leis do livro, embora não expliquem como Levítico chegou à sua forma final.
Por isso, alguns estudiosos entendem que o livro reúne instruções dadas por Deus a Moisés, mas passou por trabalho de organização e edição ao longo do tempo. Outros defendem que Moisés escreveu o livro essencialmente como o temos. A Bíblia não conta todos os detalhes desse processo, então não é preciso afirmar mais do que ela afirma.
Assim, se a pergunta é a quem Levítico é atribuído, a resposta é Moisés. E, pra entender o livro, o mais importante é perceber seu propósito: ensinar Israel a adorar a Deus e a viver de modo santo. Os cristãos não seguem hoje o sistema de sacrifícios de Levítico, mas continuam aprendendo com ele sobre a santidade de Deus. O próprio Novo Testamento retoma esse chamado à santidade em 1 Pedro 1:15-16.