A carta diz que foi escrita por Judas, “irmão de Tiago” (Judas 1:1). O mais provável é que esse Judas fosse um dos irmãos de Jesus, mencionados em Mateus 13:55 e Marcos 6:3. Nessas passagens, Judas e Tiago aparecem entre os irmãos de Jesus.
A identificação faz sentido por causa da maneira como o autor se apresenta. Ele não diz que é apóstolo nem se chama de irmão de Jesus. Diz que é irmão de Tiago, que era uma figura conhecida entre os primeiros cristãos (Gálatas 2:9). Ainda assim, a carta não afirma expressamente que seu autor era o irmão de Jesus. Por isso, essa é a conclusão mais provável, não uma certeza absoluta.
A distinção importa porque o Novo Testamento menciona outras pessoas chamadas Judas. Judas Iscariotes não pode ser o autor: ele morreu antes da ressurreição de Jesus e do início da igreja. Havia também um apóstolo chamado Judas, identificado em Lucas 6:16 como “Judas, filho de Tiago”. Já o autor da carta se apresenta como irmão de Tiago. Não temos motivo suficiente pra dizer que sejam a mesma pessoa.
Se o autor era mesmo o irmão de Jesus, há um detalhe marcante em sua história. Durante o ministério de Jesus, seus irmãos não criam nele (João 7:5). Mais tarde, porém, os irmãos de Jesus aparecem reunidos com seus seguidores (Atos 1:14). A Bíblia não conta quando Judas passou a crer, então não dá pra afirmar exatamente como isso aconteceu.
O que a própria carta deixa claro é por que ele escreveu. Judas queria tratar da salvação que os cristãos tinham em comum, mas viu a necessidade de alertá-los sobre pessoas que estavam distorcendo a graça de Deus pra justificar uma vida sem obediência a ele (Judas 1:3-4). Assim, embora não saibamos muitos detalhes sobre a vida do autor, sabemos quem ele disse ser e entendemos a preocupação que o levou a escrever.