Jeremias é o profeta a quem o livro é atribuído. Logo no começo, o livro apresenta suas palavras e o identifica como filho de Hilquias, de uma família de sacerdotes que vivia em Anatote, no território de Benjamim (Jeremias 1:1). Mas isso não significa que Jeremias tenha escrito cada palavra do livro com a própria mão.
O próprio livro conta como parte de suas mensagens foi registrada. Deus mandou Jeremias colocar por escrito as palavras que havia anunciado. Então Jeremias chamou Baruque, filho de Nerias, e ditou as mensagens pra ele. Baruque as escreveu num rolo e depois as leu em público (Jeremias 36:1-10, 17-18). Quando o rei queimou aquele rolo, Jeremias ditou as mensagens outra vez, e Baruque escreveu um novo rolo, ao qual foram acrescentadas outras palavras (Jeremias 36:23, 27-32).
Essa história ajuda a responder à dúvida: Jeremias foi a fonte das mensagens proféticas, e Baruque foi seu escriba, alguém que ajudou a registrá-las. O livro também reúne relatos sobre a vida de Jeremias e os acontecimentos de sua época. A Bíblia não explica em detalhe quem organizou todas essas partes na forma final que temos hoje. Por isso, não precisamos afirmar que Jeremias escreveu pessoalmente cada linha, nem negar a ligação clara que o livro faz com ele.
Jeremias anunciou a palavra de Deus durante os últimos anos do reino de Judá, antes da conquista de Jerusalém pela Babilônia, e continuou presente nos acontecimentos que vieram depois (Jeremias 1:2-3; 39–43). Muitas vezes ele precisou transmitir mensagens que as pessoas não queriam ouvir. Mesmo enfrentando oposição, continuou a avisá-las e a chamá-las a voltar pra Deus.
Assim, quando alguém pergunta quem escreveu o livro de Jeremias, a resposta mais simples e fiel ao próprio livro é: o livro traz as mensagens do profeta Jeremias, registradas em parte com a ajuda de Baruque. A maneira exata como todo o material foi reunido não é explicada.