A resposta mais conhecida é Salomão, mas o livro não diz o nome do autor. Ele se apresenta como “o Mestre” — também chamado de “Pregador” em algumas traduções — e como filho de Davi e rei em Jerusalém (Eclesiastes 1:1). Por isso, desde muito cedo, muitos leitores entenderam que se tratava de Salomão.
Há boas razões pra essa associação. O Mestre fala de uma sabedoria extraordinária, de grandes construções, jardins e muitas riquezas (Eclesiastes 1:16; 2:4-9). Essas descrições lembram o que a Bíblia conta sobre Salomão, filho de Davi e rei conhecido por sua sabedoria e riqueza (1 Reis 3:12; 10:23). Salomão é, portanto, uma resposta possível e bem fundamentada.
Ainda assim, é bom distinguir as pistas daquilo que o texto afirma diretamente. Eclesiastes nunca diz: “Eu, Salomão, escrevi este livro.” Alguns estudiosos entendem que um autor posterior pode ter apresentado os ensinamentos na voz de um rei parecido com Salomão. Eles também observam que, no fim do livro, o Mestre é descrito em terceira pessoa, como alguém de quem o escritor está falando (Eclesiastes 12:9-10). Isso pode indicar que outra pessoa organizou ou concluiu o texto, mas não resolve a questão por si só.
Assim, não dá pra afirmar com certeza absoluta quem escreveu cada parte de Eclesiastes, nem quando o livro foi escrito. A tradição atribui o livro a Salomão, e os detalhes sobre o Mestre dão força a essa leitura. Mas a Bíblia deixa o nome do autor sem confirmação explícita.
O mais importante é que essa dúvida não impede a compreensão da mensagem do livro. Eclesiastes examina o que acontece quando procuramos satisfação definitiva em coisas como trabalho, riqueza e prazer. Todas elas têm limites. Por isso, ao terminar suas reflexões, o livro orienta o leitor a temer a Deus e guardar seus mandamentos (Eclesiastes 12:13).