Deuteronômio é tradicionalmente atribuído a Moisés, e o próprio livro mostra que seus ensinamentos vêm dele. A maior parte do livro apresenta discursos que Moisés fez ao povo de Israel pouco antes de sua morte, quando o povo estava prestes a entrar na terra prometida (Deuteronômio 1:1-5). O texto também diz que Moisés escreveu a lei e a entregou aos sacerdotes (Deuteronômio 31:9, 24-26).
Isso ajuda a entender por que Deuteronômio é chamado de um dos *livros de Moisés*. Moisés havia conduzido os israelitas durante muitos anos. Agora, antes que eles seguissem sem ele, relembrou o que Deus tinha feito, explicou seus mandamentos e chamou o povo a permanecer fiel à aliança com o Senhor. Portanto, quando lemos Deuteronômio, estamos ouvindo principalmente os ensinamentos de Moisés àquela geração.
Há, porém, um detalhe importante: o capítulo 34 conta a morte e o sepultamento de Moisés. Por isso, não seria correto dizer que ele escreveu pessoalmente cada linha do livro. O relato final foi acrescentado por outra pessoa. Josué já foi sugerido como possível autor desse capítulo, mas a Bíblia não diz quem o escreveu.
Também existe uma discussão sobre como o livro chegou à forma que temos hoje. Alguns estudiosos entendem que ele passou por um processo de edição posterior. Outros defendem que Moisés escreveu a maior parte do texto, com acréscimos finais feitos depois de sua morte. A Bíblia não explica todos os passos desse processo. E chamar esses livros de “Lei de Moisés”, como Jesus faz em Lucas 24:44, confirma a ligação deles com Moisés, mas não resolve, por si só, quem escreveu cada trecho.
Assim, a resposta mais precisa é: Moisés é a figura central por trás de Deuteronômio e a ele são atribuídos os ensinamentos que formam o coração do livro; o relato de sua morte foi escrito por outra pessoa, cujo nome não conhecemos.