A resposta mais honesta é: não sabemos com certeza. O livro não diz quem o escreveu. Samuel pode ter deixado registros usados na sua composição, mas não pode ter escrito o livro inteiro, porque sua morte é relatada em 1 Samuel 25, e a história continua depois disso.
A tradição judaica atribui a Samuel a primeira parte do livro e diz que os profetas Gade e Natã completaram o restante. Há razões para levar essa tradição em conta. Samuel sabia escrever: 1 Samuel 10:25 conta que ele registrou por escrito as regras do reino. Além disso, 1 Crônicas 29:29 menciona registros de Samuel, Natã e Gade sobre o reinado de Davi. Isso mostra que havia registros ligados a esses profetas, mas não prova que eles escreveram o livro de 1 Samuel na forma em que o temos hoje.
Um detalhe ajuda a entender por que a autoria é difícil de definir. Em 1 Samuel 27:6, o narrador diz que Ziclague continuava pertencendo aos reis de Judá “até o dia de hoje”. Essa expressão olha pra acontecimentos passados a partir de um tempo posterior. Pode indicar que o livro recebeu sua forma final depois da divisão do reino em Israel e Judá, ou que uma informação desse período foi acrescentada ao relato. O texto, porém, não identifica quem fez isso.
Portanto, é possível que o livro tenha sido formado com base em registros antigos, inclusive de Samuel e de outros profetas. O que não dá é apresentar o nome de um autor como fato confirmado. Essa incerteza não impede a leitura do livro: 1 Samuel conta como Israel passou a ter reis e mostra, por meio das histórias de Samuel, Saul e Davi, a importância de ouvir a Deus em vez de confiar apenas na aparência ou no poder humano.