Paulo está dizendo aos cristãos de Corinto: se aquilo que vocês têm veio de Deus, não faz sentido se achar superiores aos outros por causa disso. A pergunta não diminui o valor das habilidades deles. Ela corrige o orgulho.
Na igreja de Corinto, algumas pessoas davam muita importância a quem ensinava melhor e se identificavam com determinados líderes. Isso estava criando divisões. Paulo então pergunta quem os torna diferentes uns dos outros e o que eles têm que não tenham recebido. Em seguida, vai direto ao ponto: se receberam, por que se orgulham como se tudo tivesse começado neles? (1 Coríntios 1:10-12; 4:6-7).
Isso não quer dizer que ninguém precise estudar, trabalhar ou se esforçar. Paulo mesmo trabalhou muito e, em outra passagem, reconheceu esse esforço. Mas também disse que a graça de Deus atuava nele (1 Coríntios 15:10). Podemos desenvolver uma habilidade, tomar boas decisões e realizar coisas importantes sem esquecer que nossa vida, nossas oportunidades e nossa capacidade de agir dependem de Deus.
Por isso, receber algo de Deus não é motivo pra desprezar quem recebeu algo diferente. Mais adiante, Paulo explica que há diversos dons na igreja e que o Espírito os distribui como quer. Eles são dados pra ajudar uns aos outros, não pra decidir quem vale mais (1 Coríntios 12:4-7, 11).
Então, 1 Coríntios 4:7 nos convida a trocar a comparação pela gratidão. Se tenho algo bom, posso agradecer a Deus, cuidar bem disso e usar o que recebi pra servir. O erro que Paulo combate não é reconhecer que fizemos algo; é agir como se não devêssemos nada a Deus e, por isso, fôssemos melhores que os outros.