A Bíblia é uma coleção de livros que conta quem é Deus, como ele se relacionou com as pessoas ao longo da história e o que fez, por meio de Jesus Cristo, para nos salvar. Embora reúna textos escritos em épocas diferentes, ela apresenta uma história que vai da criação do mundo à promessa de que Deus fará novas todas as coisas.
Na Bíblia usada pelas igrejas evangélicas, há 66 livros. Eles não foram escritos todos de uma vez nem por uma única pessoa. Há relatos históricos, leis, poemas, ensinamentos de sabedoria, mensagens dos profetas, relatos da vida de Jesus e cartas às primeiras igrejas. Por isso, nem toda página deve ser lida do mesmo jeito: um salmo é poesia; uma carta foi escrita para orientar pessoas em situações reais. Algumas tradições cristãs incluem também outros livros no Antigo Testamento.
Para os cristãos, a Bíblia não é apenas uma coleção de escritos antigos. Ela é a Palavra de Deus transmitida por meio de autores humanos. Segundo 2 Timóteo 3:16, as Escrituras são inspiradas por Deus; e 2 Pedro 1:21 relaciona a mensagem dos profetas à ação do Espírito Santo. Isso não significa que todos os autores escreveram com o mesmo estilo. Cada um se expressou à sua maneira, em seu tempo, enquanto Deus comunicava sua mensagem por meio deles.
A Bíblia tem duas grandes partes. O Antigo Testamento começa com Deus criando o mundo e mostra como a humanidade se afastou dele. Depois acompanha especialmente a história de Israel, povo que Deus chamou a partir de Abraão. Deus prometeu abençoar, por meio de Abraão, todas as famílias da terra (Gênesis 12:1-3). Ao longo dessa história, vemos o cuidado de Deus, a desobediência humana e a esperança de um rei que viria da família de Davi (2 Samuel 7:12-16).
O Novo Testamento apresenta Jesus como o cumprimento dessa esperança. Os Evangelhos contam sua vida, morte e ressurreição. O restante do Novo Testamento mostra como seus seguidores anunciaram essa notícia e o que significa viver confiando nele. A palavra “testamento” também ajuda a entender essa divisão: ela pode se referir a uma *aliança*, isto é, um compromisso estabelecido por Deus com as pessoas. Jesus falou de uma nova aliança ligada à sua morte (Lucas 22:20).
O assunto da Bíblia, portanto, não é só a história de Israel nem somente um conjunto de regras para viver bem. Ela mostra o problema do pecado — nossa rebelião contra Deus — e o que Deus fez para nos reconciliar com ele. Jesus está no centro dessa resposta: segundo o Novo Testamento, ele morreu pelos nossos pecados, ressuscitou e oferece perdão e vida a quem confia nele (1 Coríntios 15:3-4; Romanos 10:9-13).
Isso não quer dizer que cada versículo fale diretamente de Jesus. Significa que a história contada pela Bíblia encontra nele seu ponto decisivo. O Antigo Testamento prepara o caminho; o Novo Testamento anuncia sua vinda e explica o que ela significa. Assim, ao ler a Bíblia, não encontramos apenas informações sobre Deus: encontramos o convite para conhecê-lo e responder a ele.