Pastor Antônio Junior

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Quando a qualidade de vida deve pesar nas decisões de fim de vida?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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A qualidade de vida deve ser considerada ao decidir como cuidar de alguém que está morrendo. Mas ela não deve ser usada pra decidir se a vida dessa pessoa ainda merece ser vivida. Essa diferença é importante, especialmente quando a família precisa escolher entre tratamentos difíceis e cuidados voltados ao conforto.

A Bíblia ensina que a vida humana tem valor porque as pessoas foram criadas à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27). Esse valor não desaparece quando alguém perde a capacidade de trabalhar, falar, andar ou cuidar de si mesmo. Uma pessoa com uma doença grave ou uma deficiência continua merecendo respeito, companhia e o melhor cuidado possível. Por isso, não seria certo concluir que alguém deve morrer porque sua vida parece ter pouca “qualidade” aos olhos dos outros.

Ao mesmo tempo, respeitar a vida não significa usar todo tratamento disponível até o último momento. Um respirador, uma cirurgia ou uma medicação podem ajudar a pessoa a se recuperar. Em outra situação, podem apenas prolongar o processo de morrer, sem uma perspectiva realista de melhora e com grande sofrimento. Nessa hora, faz sentido perguntar aos profissionais de saúde o que cada medida ainda pode oferecer e que dificuldades ela trará ao paciente.

É aí que a qualidade de vida entra na decisão. Ela ajuda a avaliar se um tratamento está fazendo bem à pessoa, não se a pessoa tem valor. Recusar ou interromper uma medida que já não traz benefício suficiente pode ser uma maneira responsável de cuidar. Isso é diferente de provocar a morte com esse objetivo. Em um caso, aceita-se que a doença siga seu curso e continua-se a cuidar da pessoa; no outro, toma-se uma medida para causar sua morte.

Os cuidados paliativos fazem parte desse cuidado. Eles buscam aliviar dor, falta de ar, ansiedade e outros sofrimentos, mesmo quando a cura já não é possível. Deixar de fazer um tratamento que não ajuda mais não significa abandonar o paciente. Ele ainda precisa de atenção médica, conforto, presença e carinho.

Sempre que puder, a própria pessoa deve participar dessas decisões. Também é útil conversar antes com a família e com os médicos sobre seus desejos, ou registrá-los conforme as regras do lugar onde vive. Isso não resolve automaticamente toda escolha difícil, mas ajuda os familiares a não terem de adivinhar o que ela gostaria que fosse feito.

A Bíblia não traz uma lista de tratamentos que sempre devemos aceitar ou recusar. Ela nos dá princípios: a vida pertence a Deus (Deuteronômio 32:39), nossos dias são conhecidos por ele (Salmo 139:16) e devemos tratar quem sofre com amor e compaixão. Assim, diante de uma decisão de fim de vida, a pergunta mais cuidadosa não é “essa vida ainda vale a pena?”, mas “como podemos respeitar essa pessoa e cuidar bem dela agora?”