Os quakers são cristãos de um movimento conhecido como Sociedade Religiosa dos Amigos, ou Igreja dos Amigos. Eles surgiram na Inglaterra, em meados do século 17, quando George Fox e outras pessoas começaram a questionar as igrejas de sua época. Sua preocupação era que alguém podia participar de cerimônias e conhecer ensinamentos religiosos sem, de fato, ouvir e obedecer a Cristo.
Por isso, os primeiros Amigos davam muita importância à ação do Espírito Santo na vida de cada pessoa. Eles criam que não era preciso pertencer ao clero pra buscar a Deus e que a fé deveria aparecer no modo de viver. Também usavam a expressão *luz interior* pra falar da ação de Cristo, que mostra às pessoas a verdade e as chama a responder a ele. Essa é uma ideia importante entre os quakers, embora nem todos os grupos a entendam da mesma maneira.
O nome “quaker” começou como um apelido dado por outras pessoas. Com o tempo, passou a ser usado pelos próprios membros do movimento. Já o nome “Amigos” expressa como eles desejavam se relacionar uns com os outros.
Não existe, porém, uma única lista de crenças que descreva todos os quakers de hoje. Muitos Amigos mantêm uma fé cristã evangélica e afirmam a autoridade da Bíblia. Outros interpretam a Bíblia de maneira diferente, e há grupos em que nem todos se identificam como cristãos. Por isso, quando alguém pergunta “no que a Igreja dos Amigos acredita?”, a resposta depende também de qual comunidade está sendo considerada.
Mesmo com essa diversidade, algumas práticas ajudam a entender o movimento. Muitos quakers procuram tomar decisões em conjunto, ouvindo uns aos outros e buscando a direção de Deus, em vez de simplesmente votar e seguir a maioria. Algumas comunidades se reúnem principalmente em silêncio, deixando espaço pra que alguém fale se entender que deve fazê-lo. Outras têm cultos com pregação, música e oração, parecidos com os de outras igrejas protestantes.
Os quakers também ficaram conhecidos por defender a paz, a honestidade e o cuidado com as pessoas. Sua recusa tradicional em fazer juramentos está ligada à convicção de que devemos dizer a verdade sempre, não apenas quando fazemos uma promessa solene. Jesus ensina a amar os inimigos e a falar com sinceridade (Mateus 5:44; 5:37), e Tiago também ensina que nossa palavra deve ser confiável (Tiago 5:12). Ao longo da história, muitos Amigos se envolveram na oposição à escravidão e em outras ações de justiça social.
Uma diferença importante em relação a muitas igrejas está nas práticas do batismo com água e da Ceia do Senhor. Em várias comunidades quakers, essas cerimônias não são realizadas, porque se dá ênfase à realidade espiritual pra qual elas apontam: uma vida transformada por Cristo e a comunhão com ele. Outros cristãos entendem que Jesus também mandou seus seguidores praticar essas cerimônias. Esse é um exemplo de questão em que é preciso conhecer o grupo específico antes de dizer exatamente no que ele crê.
A busca pela orientação do Espírito merece respeito, mas também pede cuidado. A Bíblia ensina os cristãos a examinar o que ouvem, em vez de aceitar toda impressão espiritual como se viesse de Deus (1 João 4:1). Assim, uma decisão tomada em grupo — mesmo com sinceridade e oração — precisa ser examinada à luz das Escrituras. Da mesma forma, o desejo de acolher as pessoas não elimina a necessidade de levar a sério o ensino bíblico sobre o pecado e a obediência a Cristo (Romanos 6:1-2).
Em resumo, os quakers são um movimento que nasceu com o desejo de viver uma fé sincera, atenta ao Espírito Santo e visível nas atitudes do dia a dia. Essa história ajuda a entender o que os Amigos têm em comum. Pra saber o que uma Igreja dos Amigos ensina hoje sobre Jesus, a Bíblia e outros assuntos, porém, é necessário olhar para aquela comunidade em particular.