O puritanismo foi um movimento cristão que surgiu na Inglaterra no século XVI. Os puritanos achavam que a Igreja da Inglaterra, mesmo depois de se separar da Igreja de Roma, ainda precisava mudar muita coisa em seus cultos e em sua maneira de viver a fé. Queriam que a Bíblia orientasse mais claramente tanto o ensino da igreja quanto a vida de cada cristão. Foi desse desejo de uma igreja mais “pura” que veio o nome *puritanos*, usado no começo por seus críticos.
Eles não formavam uma denominação com uma lista única de crenças. A maioria queria reformar a Igreja da Inglaterra por dentro; outros concluíram que precisavam sair dela e formar suas próprias comunidades. Também discordavam sobre a melhor maneira de governar a igreja. Apesar dessas diferenças, compartilhavam algumas convicções importantes.
Para os puritanos, a Bíblia era a autoridade principal para a fé e para a vida cristã. Por isso, davam grande importância à pregação, ao estudo das Escrituras e à educação. Eles não queriam que as pessoas apenas participassem de cerimônias: queriam que entendessem o que Deus ensinava e vivessem de acordo com isso.
A maioria seguia a teologia da Reforma, especialmente a tradição reformada. Ensinava que ninguém se torna justo diante de Deus por fazer boas obras: a salvação vem pela graça de Deus, por meio da fé em Jesus Cristo (Efésios 2:8-10). Ao mesmo tempo, acreditava que a fé verdadeira aparece na maneira de viver. Isso explica a atenção que davam à oração, à família, à honestidade no trabalho e à conduta diária. Não era a ideia de que trabalhar muito salva alguém, mas de que toda a vida deve ser vivida diante de Deus (Colossenses 3:23).
Eles também afirmavam que Jesus é o único mediador entre Deus e as pessoas (1 Timóteo 2:5). Assim, ninguém precisava de um sacerdote para ter acesso a Deus. Isso não significava que os puritanos dispensassem pastores ou a vida em comunidade. Eles valorizavam muito a igreja, o ensino e o cuidado mútuo; apenas entendiam que nenhum líder religioso podia ocupar o lugar de Cristo.
Alguns puritanos foram perseguidos por suas posições. No século XVII, grupos partiram para a América do Norte, enquanto outros continuaram na Inglaterra. É bom distinguir os acontecimentos: os chamados *peregrinos*, que eram separatistas, fundaram a colônia de Plymouth em 1620. Já a colônia da Baía de Massachusetts recebeu, a partir de 1630, muitos puritanos que desejavam reformar a igreja sem, inicialmente, romper com ela.
O movimento deixou uma forte influência na pregação, na leitura da Bíblia e na educação. Mas também teve falhas. Em algumas comunidades puritanas da América do Norte, quem discordava em questões religiosas não recebia a mesma liberdade que os puritanos haviam desejado para si. Reconhecer isso ajuda a entender sua história sem idealizá-la.
Em resumo, os puritanos eram cristãos que queriam reformar a igreja conforme as Escrituras e levar a fé a sério em todos os aspectos da vida. O ponto principal do puritanismo não era parecer rigoroso ou seguir regras por seguir, mas buscar uma igreja fiel à Bíblia e uma vida transformada pela fé em Cristo.