A resposta depende de qual parte da Bíblia estamos falando. Na lei dada ao antigo Israel, o adultério era punido com a morte, tanto para o homem quanto para a mulher envolvidos (Levítico 20:10). Isso não é uma ordem para os cristãos aplicarem hoje. Aquela pena fazia parte das leis pelas quais Israel era governado. A igreja não recebeu a tarefa de executar essas penas.
Isso não significa que o adultério tenha deixado de ser pecado. Jesus reafirmou a fidelidade no casamento e ensinou que o problema começa antes mesmo do ato: alguém pode alimentar deliberadamente o desejo de ter uma relação com quem não é seu cônjuge (Mateus 5:27-28). O Novo Testamento também diz que Deus julgará a imoralidade sexual e o adultério (Hebreus 13:4). Portanto, não aplicar hoje a antiga pena de morte é bem diferente de dizer que o adultério não tem consequências.
Essas consequências podem ser profundas. O adultério quebra a confiança de quem foi traído, fere a família e pode destruir o casamento. Provérbios 6:32-33 adverte que quem o pratica causa dano a si mesmo e pode sofrer vergonha duradoura. Não se trata de afirmar que todos os casos terão exatamente o mesmo desfecho, mas de levar a sério o mal que essa escolha pode causar.
E há a questão da nossa relação com Deus. O adultério é pecado, mas não é um pecado sem perdão. Ao escrever a pessoas que haviam cometido pecados sexuais, Paulo lembra que elas foram purificadas por meio de Jesus Cristo (1 Coríntios 6:9-11). O perdão, porém, não é uma licença para continuar traindo. Quem se arrepende precisa abandonar o pecado, ser honesto sobre o que fez e procurar reparar, tanto quanto possível, o dano causado.
Em resumo: a pena de morte por adultério pertencia à lei do antigo Israel; os cristãos não devem aplicá-la. Hoje, a Bíblia continua tratando o adultério como um pecado sério, com consequências reais, e anuncia que há perdão e possibilidade de mudança em Cristo.