Sim. Procurar ajuda psicológica ou psiquiátrica não é pecado nem sinal de falta de fé. Um cristão pode orar, confiar em Deus e, ao mesmo tempo, receber cuidados de profissionais de saúde. A pergunta mais importante não é se ele *pode* buscar ajuda, mas de que ajuda precisa e como recebê-la com sabedoria.
A Bíblia nos ensina a levar nossas preocupações a Deus em oração (Filipenses 4:6-7). Ela também nos ensina a cuidar uns dos outros e a dividir nossos fardos (Gálatas 6:2). Essas coisas não competem entre si. Orar não impede alguém de conversar com uma pessoa de confiança, fazer terapia ou seguir um tratamento médico.
É importante não tratar todo sofrimento emocional como se tivesse uma única causa. Uma pessoa pode estar ansiosa por causa de uma situação difícil, deprimida por vários fatores ou enfrentando uma doença que precisa de avaliação e tratamento. Às vezes, há questões espirituais que também precisam de atenção. Mas seria errado concluir, sem conhecer a pessoa, que ela está sofrendo porque pecou, porque não orou o suficiente ou porque está sob influência de demônios. Em João 9:1-3, Jesus rejeitou a tentativa de atribuir automaticamente a condição de um homem ao pecado dele ou de seus pais.
O cuidado que Deus deu a Elias ajuda a entender isso. Quando o profeta estava tão abatido que desejou morrer, Deus não começou com uma repreensão. Primeiro, Elias recebeu descanso e alimento; depois, Deus tratou do que ele estava vivendo (1 Reis 19:4-18). Isso não quer dizer que todo sofrimento emocional se resolva dormindo e comendo. Mostra, porém, que nossas necessidades físicas e espirituais não devem ser separadas de maneira apressada.
O psicólogo pode ajudar a pessoa a compreender o que está acontecendo, lidar com pensamentos e emoções e encontrar formas mais saudáveis de enfrentar suas dificuldades. O psiquiatra é médico: pode avaliar possíveis transtornos mentais e, quando necessário, indicar medicamentos. Tomar um remédio prescrito não significa deixar de confiar em Deus. Da mesma forma, quem precisa de tratamento não deve interrompê-lo por conta própria; dúvidas sobre os efeitos ou a necessidade de um medicamento devem ser conversadas com o médico.
Vale escolher um profissional qualificado, com quem seja possível falar com honestidade e que respeite a fé do paciente. Um profissional cristão pode ser uma boa escolha, mas ser cristão, por si só, não garante competência; e um profissional que não seja cristão também pode oferecer um cuidado responsável. O acompanhamento pastoral pode ajudar com perguntas sobre fé, pecado, esperança e vida com Deus, sem substituir o atendimento de saúde quando ele é necessário.
Portanto, se você está sofrendo, não precisa escolher entre buscar a Deus e buscar tratamento. Faça as duas coisas. E, se estiver pensando em tirar a própria vida ou achar que pode se machucar, procure ajuda imediata: avise alguém de confiança e vá a um serviço de emergência. Você não precisa enfrentar isso sozinho.