À primeira vista, parece que sim. Um versículo diz pra não responder ao insensato conforme a sua insensatez; o seguinte diz pra responder. Mas cada um mostra um perigo diferente: ao responder, você pode agir como ele; ao não responder, pode deixar que ele pense que tem razão.
Em Provérbios, o insensato não é simplesmente alguém que sabe pouco. É a pessoa que despreza a correção e acha que não precisa aprender (Provérbios 12:15; 18:2). Por isso, conversar com ela exige discernimento.
Provérbios 26:4 alerta: não entre no jeito insensato de discutir. Se alguém zomba, distorce o que você diz ou só quer provocar, responder com a mesma agressividade não vai ajudar. Você acabará fazendo aquilo que está tentando corrigir.
Já Provérbios 26:5 mostra que ficar calado também pode ser um erro. Às vezes, é preciso responder pra mostrar por que uma afirmação está errada. Isso pode ajudar a própria pessoa a perceber o problema e também evitar que outros tomem aquela fala como verdade. Responder, nesse caso, não é imitar a insensatez; é corrigi-la.
Então, antes de responder, vale pensar: essa conversa permite um esclarecimento sincero? Há alguém que pode ser prejudicado se o erro ficar sem resposta? E consigo falar com clareza, sem entrar na provocação? Se a discussão só vai virar troca de ofensas, o silêncio pode ser mais sábio. Se uma resposta tranquila pode esclarecer algo importante, falar pode ser o melhor caminho.
Os dois provérbios não dão ordens incompatíveis. Juntos, eles ensinam a escolher quando responder e como responder: sem agir como o insensato, mas sem deixar a insensatez parecer sabedoria.