O Protoevangelho de Tiago é um escrito cristão antigo que conta histórias sobre o nascimento e a infância de Maria, mãe de Jesus, e acrescenta detalhes ao relato do nascimento de Cristo. Apesar do nome, ele não faz parte da Bíblia e não deve ser confundido com a Carta de Tiago, que está no Novo Testamento.
O livro se apresenta como obra de Tiago, irmão de Jesus. Mas os estudiosos geralmente o situam em meados do século II, tarde demais pra ter sido escrito por ele. Por isso, seu nome não é uma garantia de que os acontecimentos narrados sejam verdadeiros.
É dessa obra que vêm histórias conhecidas, como a de que os pais de Maria se chamavam Joaquim e Ana, que Maria foi criada no templo e que Jesus nasceu numa caverna. O texto também apresenta José como um homem mais velho, que já tinha filhos. Assim, procura explicar quem seriam os irmãos de Jesus mencionados no Novo Testamento e defender que Maria permaneceu virgem por toda a vida.
O ponto importante é distinguir o que o livro conta daquilo que os Evangelhos afirmam. Mateus e Lucas ensinam que Maria era virgem quando Jesus foi concebido pelo Espírito Santo (Mateus 1:18-25; Lucas 1:26-35). Eles não contam a infância de Maria, não dão o nome dos pais dela e não dizem que José tinha filhos de um casamento anterior. Também não estabelecem expressamente que Maria permaneceu virgem depois do nascimento de Jesus. Cristãos têm interpretações diferentes sobre esse último assunto, mas o Protoevangelho, por si só, não resolve a questão.
Isso não significa que o livro não tenha valor nenhum. Ele ajuda a entender o que alguns cristãos de uma época posterior contavam e pensavam sobre Maria e o nascimento de Jesus. Seu valor, porém, é histórico, não o de uma fonte bíblica. Pra conhecer com segurança o que os primeiros relatos cristãos ensinam sobre o nascimento de Jesus, o caminho é ler os Evangelhos de Mateus e Lucas.