Não. João deseja que Gaio, seu amigo e destinatário da carta, esteja bem e tenha boa saúde. É uma oração sincera, mas um desejo por alguém não é uma promessa de que Deus dará saúde e prosperidade a todos os cristãos.
Isso não quer dizer que João estivesse falando apenas da vida espiritual de Gaio. Ele deseja que as coisas corram bem com o amigo e que ele tenha saúde, assim como sua vida espiritual ia bem (3 João 1:2). Orar por essas coisas é bom. A Bíblia não trata a saúde nem o sustento como assuntos sem importância.
A diferença está no que fazemos com esse versículo. O chamado “evangelho da prosperidade” costuma ensinar que quem tem fé de verdade pode esperar riqueza e saúde como garantias de Deus. João não diz isso. Ele não afirma que Gaio tem direito a essas bênçãos, nem que a falta delas seria sinal de pouca fé. Ele simplesmente expressa seu cuidado por uma pessoa.
O restante da carta mostra o que João mais valoriza em Gaio. Logo depois, ele diz que ficou muito alegre ao saber que Gaio estava vivendo de acordo com a verdade (3 João 1:3-4). Também elogia a maneira como ele acolhia e ajudava outros cristãos (3 João 1:5-8). João se importa com o bem-estar de Gaio, mas sua maior alegria não é saber que o amigo tem dinheiro ou saúde: é saber que ele permanece fiel a Cristo e ama as pessoas.
O próprio Evangelho de João ajuda a entender essa diferença. Quando Jesus alimentou uma multidão, ele não disse às pessoas que buscassem nele apenas o alimento que acaba. Ele as chamou a receber a vida eterna que só ele pode dar (João 6:26-35). Isso não torna o pão sem valor; mostra que o pão não é o centro da mensagem de Jesus.
Portanto, 3 João 1:2 nos dá um bom exemplo de como cuidar de alguém: podemos pedir a Deus que essa pessoa tenha saúde e que as coisas corram bem pra ela. Mas não devemos transformar a oração de João numa garantia que o texto não oferece. A boa saúde e os recursos materiais são bênçãos pelas quais podemos agradecer; a promessa central do evangelho é a vida eterna em Jesus (João 20:30-31).