Eram falsos mestres que ensinavam que as pessoas não deviam se casar. Paulo não diz o nome deles nem identifica o grupo a que pertenciam. O que ele mostra é o erro do ensino: além de proibir o casamento, essas pessoas exigiam que os cristãos deixassem de comer certos alimentos (1 Timóteo 4:1-3).
Pra entender por que Paulo reage com tanta firmeza, vale notar uma diferença. Uma pessoa pode escolher não se casar. O próprio Paulo era solteiro e ensinou que permanecer solteiro pode ser uma boa escolha para quem consegue viver assim (1 Coríntios 7:7-8). Outra coisa é proibir o casamento, como se casar fosse errado ou impedisse alguém de agradar a Deus. É isso que Paulo condena. Desde o início, a Bíblia apresenta o casamento como algo estabelecido por Deus (Gênesis 2:18-24).
O mesmo raciocínio ajuda a entender a questão da comida. Alguém pode deixar de comer um alimento por uma razão pessoal. Mas aqueles mestres transformavam a abstinência em exigência religiosa. Paulo responde lembrando que os alimentos foram criados por Deus e podem ser recebidos com gratidão (1 Timóteo 4:3-5).
Às vezes esses mestres são chamados de *gnósticos*, porque alguns grupos conhecidos mais tarde ensinavam que a vida material era inferior à espiritual e, por isso, rejeitavam coisas como o casamento. Pode haver semelhanças, mas 1 Timóteo não usa esse nome. Por isso, não dá pra afirmar com certeza que Paulo estava falando de um grupo gnóstico específico.
O ponto principal da passagem é claro: ninguém deve apresentar como ordem de Deus uma proibição que ele não fez. A Bíblia permite que alguém permaneça solteiro, mas também honra o casamento. Paulo estava protegendo os cristãos de mestres que confundiam uma escolha possível com uma regra obrigatória pra todos.