A Bíblia não dá um número total de profetas. Ela fala de muitos pelo nome, menciona grupos de profetas sem identificar cada pessoa e conta que algumas pessoas profetizaram em ocasiões específicas. Por isso, antes de contar, seria preciso decidir quem entra na lista.
O número 16 costuma aparecer porque, no Antigo Testamento, há dezesseis profetas com livros que levam seus nomes: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel, chamados de *profetas maiores*, e outros doze, chamados de *profetas menores*. “Maiores” e “menores” se referem principalmente ao tamanho dos livros, não à importância dessas pessoas.
Mas esses dezesseis estão longe de ser todos os profetas da Bíblia. Elias e Eliseu, por exemplo, tiveram um papel importante na história de Israel, embora não exista um livro bíblico com o nome de nenhum dos dois. Moisés foi profeta (Deuteronômio 34:10), assim como Miriã e Débora foram profetisas (Êxodo 15:20; Juízes 4:4). Samuel, Natã e Hulda são outros exemplos.
No Novo Testamento, João Batista é chamado de profeta (Lucas 7:26–28). Ana é chamada de profetisa (Lucas 2:36), e o livro de Atos menciona Ágabo, Judas e Silas entre os profetas da igreja (Atos 11:27–28; 15:32). Também diz que as quatro filhas de Filipe profetizavam, sem informar seus nomes (Atos 21:8–9).
Além disso, nem todo mundo que recebeu uma mensagem de Deus deve ser automaticamente contado como profeta. José, por exemplo, interpretou sonhos por ajuda de Deus (Gênesis 40–41), mas isso não resolve, por si só, se ele deve entrar numa lista de profetas. A Bíblia também distingue os verdadeiros profetas daqueles que afirmavam falar por Deus sem ter sido enviados por ele, como Hananias, que se opôs à mensagem de Jeremias (Jeremias 28).
Então, a resposta mais segura é: a Bíblia apresenta muito mais do que dezesseis profetas, mas não informa quantos foram ao todo. Os dezesseis são os profetas cujos nomes aparecem nos títulos dos livros proféticos do Antigo Testamento; não são uma contagem de todas as pessoas que Deus usou pra transmitir sua mensagem.