Profecia é uma mensagem que Deus comunica por meio de alguém. Profetizar é transmitir essa mensagem. Na Bíblia, isso nem sempre significa anunciar o futuro. Muitas vezes, o profeta dizia ao povo o que Deus queria que ele soubesse ou fizesse naquele momento: denunciava uma injustiça, chamava as pessoas ao arrependimento ou lhes dava esperança.
Foi assim com muitos profetas do Antigo Testamento. Natã, por exemplo, confrontou o rei Davi por causa do pecado que ele havia cometido (2 Samuel 12:1-13). Jeremias anunciou o julgamento que viria sobre Judá, mas também transmitiu promessas de restauração (Jeremias 25:8-11; 31:31-34). Em ambos os casos, o ponto principal não era a capacidade pessoal do profeta de fazer um discurso. Era a mensagem que Deus lhe havia confiado. Pedro explica que os profetas falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo (2 Pedro 1:21).
Por isso, nem toda pessoa que afirma falar em nome de Deus deve ser aceita como profeta. A Bíblia manda examinar o que ela diz. Deuteronômio 13 ensina que ninguém deve ser seguido se tentar levar o povo a adorar outros deuses, mesmo que apresente um sinal impressionante. Deuteronômio 18:21-22 acrescenta que uma previsão feita em nome do Senhor que não se cumpre não veio dele. Uma mensagem não se torna verdadeira só porque foi apresentada com muita convicção.
No Novo Testamento, também encontramos profecia entre os cristãos. Paulo fala dela como um dom do Espírito e ensina que, na reunião da igreja, seu uso deveria ajudar as pessoas a entender, receber ânimo e crescer na fé. Ele não diz que os ouvintes devem acreditar em tudo sem pensar; manda que avaliem o que é dito (1 Coríntios 12:10; 14:3, 29-31). Isso mostra que afirmar “Deus me disse” não coloca ninguém acima do exame da igreja.
Os cristãos concordam que Deus falou por meio dos profetas e apóstolos cujos ensinamentos foram preservados nas Escrituras. Já sobre o dom de profecia hoje, há uma diferença de entendimento entre cristãos que levam a Bíblia a sério. Alguns entendem que esse dom estava ligado especialmente ao período inicial da igreja. Outros entendem que ele ainda pode ocorrer, mas que qualquer mensagem precisa ser examinada e não pode ter a autoridade das Escrituras.
Essa diferença não muda um cuidado essencial: ninguém deve apresentar uma ideia própria como se fosse uma ordem de Deus. Um pastor, por exemplo, pode explicar com segurança o que uma passagem bíblica ensina. Mas, se ele afirma saber algo que a Bíblia não diz — como uma decisão específica que outra pessoa deve tomar —, essa afirmação não ganha autoridade divina só porque foi feita por um pastor.
Em resumo, profetizar, no sentido bíblico, é transmitir uma mensagem recebida de Deus; às vezes essa mensagem inclui o futuro, mas não se limita a previsões. E, justamente por ser tão sério falar em nome de Deus, toda alegação desse tipo deve ser tratada com cuidado e examinada à luz das Escrituras.