A chamada profecia de São Malaquias é uma lista de frases curtas, em latim, que supostamente descrevem os papas desde o século 12 até o fim dos tempos. A última parte fala de alguém chamado “Pedro, o Romano” e diz que, depois de um período de sofrimento, Roma seria destruída e viria o julgamento. É por isso que a lista costuma chamar atenção quando um novo papa é escolhido.
Mas há uma diferença importante: Malaquias foi uma pessoa real; não sabemos se ele escreveu essa lista. Ele foi um líder da igreja na Irlanda e morreu em 1148. Já a suposta profecia só apareceu publicada em 1595, mais de quatro séculos depois de sua morte. Não se conhece um manuscrito da época dele que confirme a autoria. Por isso, não dá pra apresentar a lista como uma revelação comprovadamente recebida por Malaquias.
Cada papa da lista é associado a uma expressão breve, como “Flor das Flores” ou “A Glória da Oliveira”. Algumas parecem combinar com detalhes da vida ou do brasão de determinados papas. O problema é que essas frases são tão abertas que permitem várias explicações depois que os fatos acontecem. Além disso, a parte sobre “Pedro, o Romano” não diz claramente que esse seria o nome escolhido pelo último papa.
Durante algum tempo, muita gente afirmou que Francisco seria esse último papa. Essa conclusão já era uma interpretação da lista, não uma afirmação clara dela. E Francisco morreu em 2025, sendo sucedido por Leão XIV. Portanto, a ideia de que Francisco seria o último papa não se confirmou.
Também não há base pra identificar “Pedro, o Romano” com o anticristo ou com o falso profeta do Apocalipse. A lista não demonstra essa ligação, e a Bíblia não menciona São Malaquias nem apresenta uma sequência de papas como sinal pra calcular o fim.
Como cristãos, podemos examinar uma alegação dessas sem medo, mas não precisamos tratá-la como Palavra de Deus. Jesus ensinou que não sabemos o dia nem a hora de sua volta (Mateus 24:36). E a Bíblia nos orienta a examinar aquilo que ouvimos, em vez de aceitar qualquer afirmação espiritual sem critério (1 João 4:1). Assim, a resposta mais segura é: a “profecia de São Malaquias” é uma lista antiga atribuída a ele, de autoria incerta, e não é uma base confiável pra dizer quem será o último papa ou quando virá o fim.