Em Daniel 8, as 2.300 tardes e manhãs indicam que o templo de Jerusalém sofreria uma profanação por um tempo limitado. Depois, ele voltaria a ser usado para a adoração a Deus. A dificuldade está em saber exatamente como contar esse período.
A visão começa com um carneiro e um bode. O próprio livro explica que eles representam, respectivamente, o império medo-persa e a Grécia (Daniel 8:20-21). Mais adiante, surge um governante que ataca o povo de Deus, interrompe os sacrifícios feitos diariamente e profana o santuário. É nesse momento que aparece a pergunta: até quando isso vai durar? A resposta é: até 2.300 tardes e manhãs; depois, o santuário será restaurado (Daniel 8:9-14).
Muitos cristãos entendem que essa parte da profecia aponta principalmente para Antíoco IV Epífanes, um rei que governou uma parte do antigo império grego antes do nascimento de Jesus. Ele perseguiu os judeus e profanou o templo. Mais tarde, os judeus recuperaram, purificaram e dedicaram novamente o templo. Essa rededicação é lembrada até hoje na festa judaica de Hanukkah.
Mas por que Daniel fala em *tardes e manhãs*, em vez de simplesmente dizer *dias*? Há duas maneiras conhecidas de entender a expressão. Ela pode indicar 2.300 dias completos, um pouco mais de seis anos. Ou pode se referir aos sacrifícios feitos de manhã e à tarde: nesse caso, 2.300 ocasiões de sacrifício corresponderiam a 1.150 dias, pouco mais de três anos. Essa segunda leitura se aproxima do período em que os sacrifícios no templo ficaram interrompidos no tempo de Antíoco. Ainda assim, não há acordo sobre a data exata a partir da qual Daniel manda começar a contagem. Por isso, seria exagero afirmar que conseguimos identificar com certeza o primeiro e o último dia dos 2.300.
O ponto principal da resposta dada na visão é claro: a perseguição e a profanação não durariam para sempre. O governante poderia interromper os sacrifícios por um tempo, mas não impediria definitivamente a adoração no templo.
Alguns cristãos também veem nesse governante uma antecipação de um perseguidor futuro. Essa é uma interpretação possível, mas é diferente de afirmar que os 2.300 se referem diretamente ao Anticristo ou que devem ser somados aos períodos mencionados em Apocalipse. Daniel 8 precisa ser entendido, primeiro, a partir da visão e da explicação que o próprio capítulo oferece.