Jesus quis dizer que Deus não avalia as pessoas do mesmo jeito que nós avaliamos. Alguém pode parecer importante, dedicado ou merecedor aos olhos dos outros e, ainda assim, não confiar em Deus. E alguém que parece ter pouco a oferecer pode receber com alegria aquilo que Deus dá por graça.
Jesus disse isso depois de conversar com um homem rico que queria saber como obter a vida eterna. O homem procurava fazer o que era certo, mas, quando Jesus o chamou a deixar seus bens e segui-lo, ele foi embora triste. Suas riquezas tinham se tornado um obstáculo para ele. Os discípulos, por sua vez, tinham deixado muita coisa pra seguir Jesus. Pedro então perguntou o que eles receberiam por isso. Jesus garantiu que o que haviam deixado não seria esquecido, mas acrescentou: muitos primeiros seriam últimos, e muitos últimos seriam primeiros (Mateus 19:16-30).
A frase ajudava os discípulos a entender duas coisas. A primeira é que a riqueza e a boa reputação do jovem não lhe garantiam a vida eterna. A segunda é que nem mesmo os discípulos deveriam pensar: “Deixamos mais do que os outros; por isso, merecemos mais”. Jesus reconheceu o que eles haviam deixado, mas não queria que transformassem isso numa competição.
Logo depois, ele contou uma história que torna esse ponto mais claro. Um dono de vinha contratou trabalhadores em diferentes horas do dia. No fim, pagou também aos que tinham chegado por último o valor que havia combinado com os primeiros. Os que trabalharam o dia inteiro reclamaram. Não porque tivessem recebido menos do que o prometido, mas porque os outros receberam a mesma quantia. O dono respondeu que tinha o direito de ser generoso (Mateus 20:1-16).
Isso não significa que o trabalho dos primeiros não importava. Significa que eles não podiam usar seu trabalho pra exigir que o dono fosse menos generoso com os demais. Da mesma forma, ninguém compra um lugar no Reino de Deus por ter começado antes, feito mais ou aberto mão de mais coisas. A vida eterna é recebida pela graça de Deus, não conquistada como salário por boas obras (Efésios 2:8-9). Isso não apaga o valor de servir a Jesus; ele mesmo prometeu recompensar seus seguidores. Mas nos impede de tratar a bondade de Deus como uma dívida que ele tem conosco.
Jesus também não estava dizendo que todo rico será rejeitado e todo pobre será salvo. O problema do jovem rico não era simplesmente possuir bens, mas não conseguir deixá-los pra seguir Jesus. Do mesmo modo, ter pouco dinheiro não coloca ninguém automaticamente em primeiro lugar.
Então, quando Jesus diz que os primeiros serão os últimos, ele nos alerta a não confundir posição, tempo de serviço ou aparência de fidelidade com o que realmente importa diante de Deus. E, quando diz que os últimos serão os primeiros, mostra que sua graça pode alcançar pessoas que outros consideram sem importância ou pouco merecedoras. A resposta certa não é tentar descobrir quem ficará na frente de quem, mas seguir Jesus com confiança e receber sua bondade sem invejar a bondade que ele mostra aos outros.