Pode ser chamado assim, mas não é necessário trocar o nome. “Primeiro Testamento” destaca que esses livros vêm antes dos livros sobre Jesus e a igreja. “Antigo Testamento”, por sua vez, ajuda a lembrar que Jesus estabeleceu uma *nova aliança*. O cuidado é não entender “antigo” como “sem valor”.
Na Bíblia, uma aliança é um compromisso que Deus estabelece com pessoas. Os 39 livros que os cristãos protestantes chamam de Antigo Testamento contam a história de Deus antes da vinda de Jesus. Neles aparecem várias alianças, como as feitas com Noé, Abraão e o povo de Israel. Por isso, o nome não quer dizer que todos esses livros tratem de uma única aliança antiga.
Quando o Novo Testamento fala da antiga aliança em contraste com a nova, ele se refere especialmente à aliança que Deus fez com Israel por meio de Moisés. Ela incluía a Lei, os sacerdotes e os sacrifícios. Jesus anunciou a nova aliança ao falar de sua própria morte (Lucas 22:20). O livro de Hebreus explica que seu sacrifício não precisa ser repetido: ele fez o que os sacrifícios anteriores não podiam fazer de forma definitiva (Hebreus 9:11-15; 10:1-14). É nesse sentido que a antiga aliança deu lugar à nova (Hebreus 8:6-13).
Mas isso não torna o Antigo Testamento ultrapassado como Escritura. Ele continua ensinando quem Deus é, como ele lidou com seu povo e por que a vinda de Jesus importa. O próprio Jesus recorria a esses escritos e dizia que eles falavam a respeito dele (Lucas 24:27, 44).
Então, se alguém prefere dizer “Primeiro Testamento” pra deixar claro que esses livros continuam valiosos, dá pra entender a intenção. Mas “Antigo Testamento” também é um nome adequado, desde que se faça a distinção: a antiga aliança foi cumprida em Cristo; os livros que contam essa história continuam sendo importantes pra fé cristã.