Pastor Antônio Junior

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O que é o preterismo parcial? Essa interpretação é bíblica?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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O preterismo parcial é uma maneira de entender as profecias sobre o fim dos tempos. Seus defensores dizem que parte delas já se cumpriu, principalmente nos acontecimentos que levaram à destruição de Jerusalém e do templo pelos romanos, no ano 70 d.C. Mas eles não dizem que tudo já aconteceu: ainda esperam a volta de Jesus, a ressurreição dos mortos e o julgamento final.

Essa diferença é importante. O chamado *preterismo completo* afirma que até mesmo essas promessas já se cumpriram. Isso entra em conflito com o ensino bíblico de que Cristo voltará e de que haverá uma ressurreição futura (Atos 1:11; 1 Coríntios 15:22-26). O preterismo parcial mantém essas esperanças cristãs.

A principal razão pela qual essa interpretação atrai leitores da Bíblia está em Mateus 24. Jesus anunciou que o templo seria destruído (Mateus 24:1-2) e, mais adiante, disse que “esta geração” não passaria antes que acontecessem as coisas de que ele havia falado (Mateus 24:34). Como Jerusalém e o templo foram destruídos algumas décadas depois, os preteristas parciais entendem que boa parte daquele discurso dizia respeito às pessoas que viviam na época de Jesus.

Isso levanta uma pergunta difícil: até onde vai essa parte do discurso? Em Mateus 24, Jesus também fala de uma tribulação muito grande e da vinda do Filho do Homem com poder e glória (Mateus 24:21, 29-31). Para muitos cristãos, esses acontecimentos apontam, pelo menos em parte, pra algo que ainda não ocorreu. Já os preteristas parciais entendem que algumas dessas expressões descrevem, em linguagem profética, o julgamento de Jerusalém e a confirmação de que Jesus recebeu autoridade. Eles observam que o Antigo Testamento também usa imagens como o escurecimento do sol pra falar da queda de nações (Isaías 13:9-10).

A discussão, portanto, não se resolve simplesmente dizendo que um lado lê a Bíblia “literalmente” e o outro não. Todos precisam levar em conta o tipo de linguagem usado pelos profetas. A questão é decidir, pelo contexto, quais palavras se referem à destruição de Jerusalém e quais apontam pra volta futura e visível de Cristo. Cristãos que discordam do preterismo parcial consideram difícil entender a vinda descrita em Mateus 24:29-31 apenas como uma imagem do julgamento de Jerusalém. Os preteristas parciais, por sua vez, precisam explicar como essa passagem se relaciona com a promessa de uma volta futura de Jesus.

Há divergências também sobre Apocalipse. Muitos preteristas parciais relacionam várias de suas visões a acontecimentos do primeiro século. A data em que o livro foi escrito faz diferença nessa discussão: se Apocalipse foi escrito depois de 70 d.C., suas visões não poderiam ter sido uma previsão da destruição de Jerusalém. Mas a data é debatida; não convém apresentá-la como uma questão já resolvida. Além disso, os preteristas parciais não concordam em todos os detalhes entre si. Por exemplo, não é correto dizer que todos rejeitam qualquer entendimento de um reino milenar.

Então, o preterismo parcial é bíblico? Ele apresenta argumentos bíblicos que merecem ser examinados, especialmente a profecia sobre o templo e as palavras de Jesus sobre “esta geração”. Ao mesmo tempo, sua explicação de passagens sobre a vinda do Filho do Homem e de partes de Apocalipse é discutida entre cristãos que levam a Bíblia a sério. Não há motivo pra tratar o preterismo parcial como se negasse a volta de Cristo; ele não a nega. Mas também não há motivo pra afirmar que todas as profecias que ele associa ao ano 70 foram claramente cumpridas naquela ocasião.

O ponto mais seguro é manter juntas as duas coisas que a Bíblia ensina: Jesus realmente anunciou o julgamento de Jerusalém, e sua volta, a ressurreição e o julgamento final ainda são esperanças futuras. A divergência está em como entender as passagens que parecem aproximar esses acontecimentos.