Pastor Antônio Junior

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O que significa preterição na doutrina da eleição?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Preterição é o nome dado, na teologia reformada, à ideia de que Deus escolhe salvar algumas pessoas e deixa outras em sua condição de pecadoras. Essas pessoas não recebem a misericórdia que salva e são julgadas por seus próprios pecados. A palavra pode soar difícil, mas a distinção que ela procura fazer é simples: salvar alguém por misericórdia não é a mesma coisa que condenar alguém por sua culpa.

Essa explicação parte de duas afirmações bíblicas. A primeira é que a salvação não é algo que Deus deva a qualquer pessoa: todos pecaram e precisam da sua graça (Romanos 3:23-24). A segunda é que Deus escolhe pessoas para serem salvas em Cristo, como ensinam, por exemplo, Efésios 1:4-5 e João 6:37. A preterição trata da pergunta que vem em seguida: *e quanto aos que Deus não escolheu salvar?* Na compreensão reformada, Deus os deixa na condição em que estão, e eles respondem pelos pecados que cometeram.

Isso não quer dizer que Deus condene pessoas inocentes por não terem sido escolhidas. A condenação, nessa doutrina, é por causa do pecado, não por uma falta de culpa que Deus tenha criado nelas. Também não quer dizer que Deus tenha escolhido algumas pessoas pra salvação e, do mesmo modo, produzido o pecado de outras pra condená-las. A preterição faz questão de distinguir essas duas coisas: Deus age com misericórdia ao salvar; ao julgar, age com justiça.

Romanos 9 é uma passagem importante nessa discussão. Paulo fala da liberdade de Deus em mostrar misericórdia e, ao mesmo tempo, trata da sua justiça (Romanos 9:14-18, 22-23). Cristãos reformados veem nesse capítulo apoio pra preterição. Outros cristãos, que também reconhecem a autoridade da Bíblia, entendem de outra maneira como a escolha de Deus se relaciona com a resposta humana. Por isso, é mais preciso dizer que “preterição” é uma explicação teológica reformada; não é uma palavra usada pela Bíblia nem uma conclusão aceita da mesma forma por todos os cristãos.

Há ainda um cuidado com a expressão “dupla predestinação”. Algumas pessoas a usam pra dizer que Deus escolhe tanto os salvos quanto os condenados, agindo exatamente da mesma maneira nos dois casos. A preterição rejeita essa igualdade. Mas outros teólogos usam “dupla predestinação” num sentido mais amplo, que inclui a distinção entre salvar uns e deixar outros em seus pecados. Por isso, o mais importante não é o rótulo, e sim entender o que está sendo afirmado.

No fim, a doutrina da preterição tenta explicar como a escolha de Deus pra salvar se relaciona com o fato de que nem todos são salvos. Ela não muda o convite que a Bíblia dirige às pessoas: Jesus chamou seus ouvintes a se arrepender e crer no evangelho (Marcos 1:15), e seus seguidores receberam a ordem de anunciá-lo às nações (Mateus 28:19-20). Ninguém precisa descobrir se foi escolhido antes de ir a Cristo. A resposta ao evangelho é crer nele.