Deus está em todo lugar. Então, quando a Bíblia fala de alguém que está “na presença de Deus”, ela não quer dizer que essa pessoa foi a um lugar onde Deus está e antes não estava. Quer dizer que Deus se aproxima dela de uma maneira especial, para se revelar, ouvi-la ou permitir que ela desfrute da comunhão com ele.
O Salmo 139 deixa claro que ninguém pode sair do alcance de Deus. Davi diz que, mesmo que fosse aos lugares mais distantes que conseguisse imaginar, Deus continuaria ali (Salmo 139:7-10). Jonas tentou fugir da missão que Deus lhe deu, mas não conseguiu fugir de Deus (Jonas 1). Nesse sentido, todos nós estamos sempre na presença dele, quer percebamos isso, quer não.
Ao mesmo tempo, Deus nem sempre se dá a conhecer da mesma maneira. Jacó dormiu em Betel sem esperar nada de extraordinário. Depois de um sonho em que Deus falou com ele, acordou espantado por não ter percebido que o Senhor estava naquele lugar (Gênesis 28:10-17). Deus não chegou ali durante a noite; Jacó é que passou a reconhecer sua presença.
Há ocasiões em que Deus torna essa presença evidente. No monte Sinai, o povo de Israel viu fogo, ouviu sons impressionantes e soube que Deus estava falando com ele (Êxodo 19:16-20). Aqueles sinais não significavam que Deus estivesse ausente do restante do mundo. Eram a maneira que ele escolheu pra se revelar naquele momento.
Mas estar na presença de Deus não se resume a ver sinais extraordinários. A Bíblia também usa essa expressão pra falar de proximidade e comunhão com ele. O Salmo 16:11 associa a presença de Deus à alegria. Jesus ensinou que seus seguidores podem viver nessa comunhão: por meio dele, temos acesso a Deus, e ele prometeu estar com os seus (João 14:23; Hebreus 10:19-22; Mateus 28:20).
Isso ajuda a entender uma diferença importante. Deus está presente até onde alguém o rejeita, pois ninguém pode escapar dele. Mas essa pessoa não está desfrutando de uma relação de paz com Deus. Quando a Bíblia fala do juízo como afastamento da presença do Senhor, não está dizendo que haverá um lugar fora do alcance de Deus. Está falando da perda da comunhão e da bênção que vêm dele (2 Tessalonicenses 1:9).
Por isso, o especial não é conseguir ficar *perto* de Deus como se ele estivesse distante. É poder conhecê-lo, ser recebido por ele e viver em comunhão com ele por meio de Jesus. E essa presença não precisa ser medida pela força de uma emoção: mesmo nos dias em que a pessoa não sente nada de extraordinário, ela pode confiar no que Deus prometeu.