Salomão é a identificação mais conhecida, e há bons motivos pra isso. Mas o livro não diz o nome do Pregador, então não dá pra tratar essa identificação como certeza.
Logo no começo, o Pregador é apresentado como filho de Davi e rei em Jerusalém (Eclesiastes 1:1). Mais adiante, ele fala de sua grande sabedoria, riqueza e realizações (Eclesiastes 1:16; 2:4-9). Tudo isso combina com o que a Bíblia conta sobre Salomão, filho de Davi, que foi rei em Jerusalém e recebeu de Deus uma sabedoria extraordinária (1 Reis 3:12; 4:29-34). Eclesiastes também diz que o Pregador ensinava o povo e organizou muitos provérbios (Eclesiastes 12:9). Salomão, por sua vez, ficou conhecido por seus provérbios (1 Reis 4:32).
Por que, então, existe dúvida? Porque o nome “Salomão” nunca aparece em Eclesiastes. Além disso, “filho de Davi” pode indicar um descendente de Davi, não necessariamente um filho direto. Por isso, alguns cristãos entendem que outra pessoa escreveu o livro, apresentando seus ensinamentos por meio da figura de um rei sábio como Salomão. Outros entendem que o próprio Salomão é o Pregador.
O termo traduzido como “Pregador” vem de uma palavra hebraica, *Qohelet*. No livro, ele é a voz que examina a vida, faz perguntas difíceis e conta o que aprendeu. Uma de suas conclusões é que sabedoria, trabalho, prazer e riquezas não conseguem, por si só, dar sentido duradouro à vida. No fim, ele chama o leitor a temer a Deus e guardar seus mandamentos (Eclesiastes 12:13).
Assim, a resposta mais cuidadosa é: o Pregador tem características que apontam fortemente pra Salomão, mas Eclesiastes não confirma seu nome. Também não afirma que o livro foi escrito por Salomão na velhice, depois de refletir sobre seus erros. Isso é uma possibilidade, não um fato contado pelo texto.