Sim, pode ser. A pregação de rua permite falar de Jesus com pessoas que talvez nunca entrem numa igreja. Mas ela não é uma obrigação pra todo cristão, nem funciona do mesmo jeito em qualquer lugar. A pergunta mais útil é: as pessoas estão tendo uma oportunidade real de ouvir e entender o evangelho?
No Novo Testamento, a mensagem sobre Jesus não ficava restrita a reuniões privadas. Em Atos 2, Pedro falou a uma multidão reunida em Jerusalém, e muitas pessoas acolheram sua mensagem. Paulo também conversou sobre a fé em espaços públicos, como o mercado de Atenas (Atos 17:17). Esses relatos mostram que anunciar Jesus publicamente tem lugar na história da igreja. Não significam, porém, que todo cristão precise usar o mesmo método.
A eficácia não se mede só pelo número de pessoas que param pra ouvir ou dizem que creram. Quem passa pela rua pode estar com pressa, e um sermão nem sempre dá espaço pra perguntas. Por outro lado, uma fala clara e respeitosa pode despertar interesse e abrir caminho pra uma conversa posterior. Não dá pra afirmar que a pregação de rua funciona melhor ou pior do que antes em todos os lugares. Isso depende muito do público, do ambiente e da maneira como ela é feita.
Também é importante distinguir a mensagem do jeito de transmiti-la. Algumas pessoas rejeitarão o que a Bíblia ensina sobre Jesus, mesmo quando isso for apresentado com cuidado. Mas ser interrompido aos gritos, tratado com desprezo ou pressionado a ouvir é outra coisa. Pedro orienta os cristãos a explicar sua esperança com mansidão e respeito (1 Pedro 3:15-16). Portanto, a possibilidade de rejeição não é motivo pra esconder a mensagem; também não é desculpa pra tratar mal as pessoas.
O fato de alguns pregadores usarem a rua pra promover brigas, ideias políticas ou ensinamentos sem base bíblica não torna toda pregação pública errada. Mostra, sim, por que é preciso cuidar tanto do conteúdo quanto da conduta. Quem fala de Cristo deve procurar ser fiel ao evangelho e estar disposto a ouvir, não apenas a falar.
Então, a pregação de rua pode ser uma boa forma de evangelizar, especialmente quando alcança pessoas que dificilmente ouviriam sobre Jesus de outro modo. Mas ela não substitui as conversas pessoais, a amizade, o cuidado com as pessoas e a vida da igreja. O método é útil quando ajuda alguém a compreender quem é Jesus e o que significa confiar nele — não apenas quando faz o pregador ser ouvido.