Deus estava dando a Adão e Eva duas tarefas ligadas entre si: ter descendentes para povoar a terra e usar a terra com responsabilidade. A palavra “subjugar” pode soar como uma ordem para dominar sem limites, mas não é isso que o relato de Gênesis ensina.
Em Gênesis 1:26-28, Deus cria o homem e a mulher à sua imagem e confia a eles um papel especial entre os seres vivos. Eles deveriam ter filhos, formar famílias e, com o tempo, ocupar a terra. Por isso, “encher a terra” está ligado à ordem de se multiplicar. Depois do dilúvio, Deus dá uma orientação semelhante a Noé e seus filhos (Gênesis 9:1).
Já “subjugar a terra” significa colocar suas possibilidades a serviço da vida humana: trabalhar o solo, produzir alimento, construir lugares pra viver e fazer bom uso do que Deus criou. Isso exigiria esforço e decisões. Mas o fato de a humanidade poder usar a terra não significa que possa destruí-la. Gênesis 2:15 ajuda a entender esse limite: Deus coloca o homem no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo. Trabalhar e cuidar fazem parte da tarefa.
O mesmo vale para o domínio sobre os animais mencionado em Gênesis 1:28. A humanidade recebeu autoridade sobre eles, mas não se tornou dona absoluta da criação. A terra continua sendo de Deus (Salmo 24:1). Portanto, usar seus recursos sem cuidado ou maltratar os seres vivos não é uma boa maneira de exercer a responsabilidade que ele nos deu.
Isso também não quer dizer que cada pessoa tenha a obrigação de se casar ou ter filhos. A orientação foi dada aos primeiros seres humanos como parte da tarefa confiada à humanidade. O Novo Testamento reconhece que alguém pode permanecer solteiro e servir a Deus dessa forma (1 Coríntios 7:7-8).
Assim, Gênesis 1:28 não é uma licença para explorar o mundo nem uma cobrança para que todo indivíduo tenha filhos. É a descrição de uma responsabilidade dada à humanidade: espalhar-se pela terra e cuidar dela enquanto a utiliza.