Tiago está falando dos desejos egoístas que passam a mandar nas nossas escolhas. Em Tiago 4:3, ele diz que algumas pessoas pediam coisas a Deus, mas queriam usá-las apenas pra satisfazer esses desejos. O problema não era sentir prazer. Era querer algo tanto que isso as levava a brigar com outras pessoas e até a tratar a oração como um jeito de conseguir o que queriam.
O começo do capítulo ajuda a entender. Tiago pergunta por que havia brigas e discussões entre seus leitores. Em seguida, aponta pra desejos que agiam dentro deles: queriam algo, não conseguiam, e entravam em conflito (Tiago 4:1-2). Quando finalmente pediam a Deus, a intenção continuava a mesma: obter aquilo que cobiçavam pra gastar consigo mesmos (Tiago 4:3).
Por isso, “prazeres” ou “paixões” não significa apenas desejos sexuais. Pode incluir a vontade de ter mais dinheiro, de ser admirado, de vencer uma disputa ou de aproveitar algo sem se importar com os outros. Tiago não apresenta uma lista fechada. Ele chama atenção pro que acontece quando um desejo se torna mais importante do que obedecer a Deus e amar as pessoas.
Isso também não quer dizer que seja errado pedir a Deus algo de que precisamos ou algo que nos deixaria felizes. A diferença está na intenção. Uma pessoa pode pedir ajuda financeira pra cuidar da família. Outra pode desejar dinheiro pra se exibir ou alimentar uma rivalidade. O pedido pode parecer parecido, mas Tiago nos convida a olhar também pro motivo.
Então, a pergunta que Tiago 4:3 nos ajuda a fazer é simples: *se Deus me desse o que estou pedindo, como eu usaria isso?* A oração não é um meio de colocar Deus a serviço dos nossos desejos. Jesus ensinou seus discípulos a buscar a vontade do Pai ao orar (Mateus 6:9-10). Podemos apresentar nossos desejos a Deus com sinceridade e, ao mesmo tempo, pedir que ele nos ajude a reconhecer quando estamos querendo algo pelos motivos errados.