Isso não quer dizer que Jesus seja inferior aos anjos em sua natureza. Quer dizer que ele se tornou humano e, por um tempo, viveu a condição humana para poder morrer por nós. É assim que Hebreus 2 aplica a Jesus as palavras do Salmo 8.
No Salmo 8, o autor olha para a grandeza da criação e se admira de que Deus dê tanta atenção aos seres humanos. Deus nos fez menores que os seres celestiais, mas também nos deu honra e a tarefa de cuidar daquilo que ele criou (Salmo 8:4-6; Gênesis 1:26-28). O salmo fala, em primeiro lugar, da humanidade. Há um detalhe de tradução: a palavra hebraica em Salmo 8:5 pode ser entendida como “Deus” ou “seres celestiais”; a antiga tradução grega usada em Hebreus traz “anjos”.
Então por que Hebreus fala de Jesus? Porque o texto reconhece que ainda não vemos todas as coisas sujeitas ao ser humano, como descreve o salmo. Mas vemos Jesus: ele se tornou humano, enfrentou a morte por nós e, depois, foi coroado de glória e honra (Hebreus 2:8-9). Nele, o propósito de Deus para a humanidade encontra seu cumprimento.
A expressão “menor que os anjos”, portanto, fala da posição que Jesus assumiu ao vir ao mundo, não de uma perda da sua divindade. Ele não deixou de ser Deus. Assumiu de verdade a nossa humanidade e aceitou viver com as limitações próprias dela (Filipenses 2:6-8). Hebreus destaca por que isso era tão importante: para morrer em favor das pessoas, Jesus precisava participar da nossa condição humana (Hebreus 2:14-17).
Essa condição de humilhação não foi o fim da história. Depois de sofrer a morte, Jesus foi exaltado. Hebreus o apresenta acima dos anjos, não abaixo deles (Hebreus 1:3-4). Assim, o sentido da passagem é simples: aquele que é superior aos anjos se fez humano por nós; morreu e agora está coroado de glória e honra.