O positivismo lógico foi uma corrente filosófica que tentou responder a uma pergunta: quando uma afirmação realmente diz algo que podemos conhecer? Seus defensores propunham, em linhas gerais, dois caminhos. Uma afirmação teria sentido se pudesse ser conferida pela experiência, como “a água ferve a certa temperatura”, ou se fosse verdadeira pela lógica ou pela definição das palavras, como “um triângulo tem três lados”.
Isso não quer dizer que só o que podemos ver a olho nu seria aceito. Ninguém vê o vento diretamente, por exemplo, mas pode observar seus efeitos e medi-lo. A questão era outra: para os positivistas lógicos, uma afirmação sobre a realidade precisava poder ser examinada por meio da experiência, ao menos em princípio. Por isso, eles consideravam que muitas afirmações sobre Deus e outros assuntos que não poderiam ser testados dessa maneira não eram propriamente falsas; diziam que elas não tinham sentido como afirmações sobre a realidade.
Essa é uma diferença importante. Dizer “não consigo testar essa afirmação com os métodos da ciência” não é o mesmo que dizer “essa afirmação não significa nada”. A ciência é excelente pra investigar o mundo físico, mas não se segue daí que seu método seja a única maneira de fazer perguntas com sentido. Perguntas como “o que é justo?” ou “por que existe algo em vez de nada?” podem ser difíceis de responder e não caber num experimento. Ainda assim, entendemos o que está sendo perguntado e podemos discutir as razões dadas pra cada resposta.
Há também uma dificuldade no próprio critério do positivismo lógico. A frase “só têm sentido as afirmações verificáveis pela experiência ou verdadeiras pela lógica” não parece ser, ela mesma, uma descoberta feita por experimento nem uma verdade que decorre apenas da definição das palavras. Seus defensores poderiam dizer que estavam propondo uma regra sobre como usar a linguagem. Mas, nesse caso, ainda precisariam explicar por que todos deveriam aceitar essa regra — especialmente quando ela descarta tantas perguntas que conseguimos compreender.
E o que a Bíblia tem a ver com isso? Ela não discute o positivismo lógico pelo nome. Mas apresenta uma visão da realidade que não se limita ao que podemos medir. Deus é espírito, conforme Jesus ensina em João 4:24. Em 2 Reis 6:16-17, o relato mostra que o servo de Eliseu não percebia tudo o que estava acontecendo até Deus abrir seus olhos. Essas passagens não substituem uma discussão filosófica nem provam, por si só, toda afirmação sobre o mundo invisível. Elas mostram, porém, por que um cristão não pode aceitar que somente o que é acessível aos nossos testes tenha sentido ou possa ser real.
Em resumo, o positivismo lógico procurou dar um critério rigoroso pra distinguir afirmações com sentido de afirmações sem sentido. Sua preocupação com clareza e evidências é valiosa. O problema está em transformar a possibilidade de teste científico na medida de *todas* as perguntas sobre a realidade. A Bíblia nos incentiva a buscar a verdade, mas não a presumir que nossos meios de observação determinem tudo o que pode existir.