O positivismo é uma maneira de pensar que dá à observação e à ciência um lugar central na busca pelo conhecimento. Isso tem um lado importante: observar os fatos, testar ideias e corrigir erros nos ajuda a entender melhor o mundo. Um cristão não precisa ser contra nada disso.
A dificuldade aparece quando se dá um passo além e se afirma que só podemos conhecer o que a ciência consegue observar ou testar. Essa afirmação não é uma descoberta científica. É uma ideia filosófica sobre os limites do conhecimento — e ela própria não pode ser comprovada por um experimento.
É bom fazer uma distinção. O positivismo surgiu em diferentes formas. Uma delas, chamada *positivismo lógico*, defendia que uma afirmação só tem significado se puder ser verificada pela experiência ou se for verdadeira pela lógica, como uma conta matemática. Por esse critério, afirmações sobre Deus seriam descartadas antes mesmo de se examinar se há boas razões pra crer nelas. Nem toda pessoa que valoriza muito a ciência, porém, defende essa posição mais rígida.
A visão cristã reconhece o valor da ciência, mas não aceita que ela seja a única maneira de conhecer a verdade. A ciência pode investigar, por exemplo, como o corpo humano funciona. Mas questões como “Deus existe?”, “O que é certo fazer?” e “Jesus ressuscitou?” também envolvem raciocínio, testemunhos e a avaliação de acontecimentos históricos. Dizer que um laboratório não pode responder sozinho a essas perguntas não significa que elas não tenham resposta.
A Bíblia também não pede que a pessoa despreze os fatos ou pare de pensar. Os evangelhos apresentam os atos de Jesus como acontecimentos testemunhados (João 20:30-31), e Paulo menciona pessoas que afirmavam ter visto Jesus ressuscitado (1 Coríntios 15:3-8). Ao mesmo tempo, a fé cristã afirma que nem tudo o que é real pode ser visto diretamente: Hebreus 11:3 relaciona a existência do universo à ação de Deus, e Romanos 1:20 diz que a criação aponta pra ele. Essas passagens apresentam a compreensão cristã da realidade; não pretendem ser resultados de um experimento.
Portanto, o cristão pode aprender com a ciência e levar suas descobertas a sério. O que ele não precisa aceitar é a ideia de que apenas o que pode ser medido é verdadeiro. Essa regra excluiria, sem examinar adequadamente, justamente algumas das perguntas mais importantes que podemos fazer.