Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

Quais são os pontos fortes e fracos da ideia de que o Arrebatamento acontece depois da Tribulação?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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A Bíblia ensina que Jesus voltará e que os cristãos que estiverem vivos serão transformados e se encontrarão com ele, junto com os que morreram em Cristo e ressuscitarem (1 Coríntios 15:51-52; 1 Tessalonicenses 4:16-17). A dúvida é quando esse encontro acontecerá em relação à tribulação final.

A visão pós-tribulacional diz que a igreja passará por esse período de sofrimento e perseguição. Depois, quando Jesus voltar, os cristãos se encontrarão com ele. Nessa interpretação, o Arrebatamento não é uma vinda separada de Cristo anos antes da sua manifestação pública; os dois acontecimentos fazem parte da mesma volta. Alguns defensores dessa visão também entendem que, em seguida, Jesus estabelecerá seu reino na terra. Já a duração exata da tribulação e a maneira de entender esse reino são assuntos sobre os quais os cristãos também divergem.

O ponto mais forte dessa visão é a ordem dos acontecimentos em Mateus 24. Jesus fala de uma grande tribulação e, depois dela, da vinda do Filho do Homem e da reunião dos seus escolhidos (Mateus 24:21, 29-31). Lida de forma direta, essa sequência combina bem com a ideia de que os seguidores de Cristo estarão aqui até a volta dele. A questão discutida é se a reunião descrita ali é o mesmo acontecimento de 1 Tessalonicenses 4 e se, naquele trecho, “os escolhidos” se refere à igreja.

Outra passagem importante é 2 Tessalonicenses 2:1-3. Paulo fala da vinda de Jesus e da nossa reunião com ele, mas também menciona acontecimentos que devem ocorrer antes do dia do Senhor. Para os pós-tribulacionistas, isso torna difícil afirmar que a igreja será retirada da terra antes de qualquer manifestação desses acontecimentos.

O livro de Apocalipse também mostra pessoas fiéis a Deus sofrendo perseguição (Apocalipse 13:7). Isso, por si só, não prova que elas sejam a igreja: cristãos que defendem o Arrebatamento antes da tribulação entendem que seriam pessoas que passariam a crer em Jesus depois. Ainda assim, o texto mostra que Deus não promete poupar todos os seus servos da perseguição. Em Apocalipse 20:4-6, após a descrição da vitória de Cristo, aparece ainda uma ressurreição chamada de “primeira ressurreição”. Os pós-tribulacionistas relacionam essa passagem à ressurreição dos cristãos mencionada em 1 Tessalonicenses 4. A dificuldade é que Apocalipse não explica diretamente como as duas passagens se encaixam.

A maior questão que essa visão precisa responder é a promessa de que os cristãos não estão destinados à ira de Deus (1 Tessalonicenses 5:9; veja também Romanos 5:9). Se a igreja permanecer na terra durante os juízos descritos em Apocalipse, como essa promessa será cumprida?

A resposta pós-tribulacional distingue duas coisas: sofrer nas mãos de perseguidores e receber a condenação de Deus. Jesus não prometeu que seus seguidores nunca sofreriam; pelo contrário, avisou que enfrentariam aflições e perseguição (João 16:33; Mateus 24:9). Assim, passar pela tribulação não significaria, necessariamente, ser alvo da ira divina. Mesmo assim, resta uma pergunta difícil: se alguns dos acontecimentos desse período são apresentados como juízos de Deus e atingem amplamente a terra, de que maneira Deus guardará o seu povo enquanto eles ocorrem? Cristãos de diferentes posições respondem a isso de modos diferentes.

Há também uma dificuldade quanto ao que acontece depois que os cristãos encontram Jesus nos ares. A visão pós-tribulacional entende que eles o acompanham em sua vinda. Mas 1 Tessalonicenses 4:16-17 não descreve expressamente o trajeto seguinte; o objetivo de Paulo ali é consolar os cristãos, assegurando que os que morreram em Cristo não ficarão de fora da sua volta. Por isso, o encontro nos ares, sozinho, não resolve toda a sequência dos acontecimentos.

Por outro lado, o argumento de que a palavra “igreja” não aparece na descrição central dos juízos em Apocalipse não decide a questão. A ausência da palavra pode ser significativa para quem defende que a igreja já foi retirada, mas não prova isso: uma passagem pode falar dos servos de Deus sem usar sempre o mesmo nome para eles.

No fim, o pós-tribulacionismo tem apoio importante na sequência apresentada por Jesus em Mateus 24 e leva a sério os textos que mostram os fiéis enfrentando perseguição. Suas maiores dificuldades são explicar como a igreja seria guardada da ira de Deus durante os juízos finais e demonstrar que as diferentes passagens sobre a volta de Cristo, a reunião dos crentes e a ressurreição descrevem exatamente o mesmo momento. A volta de Jesus e a reunião do seu povo com ele são certezas bíblicas; a posição exata desse encontro em relação à tribulação continua sendo uma questão de interpretação.