Os portões eram as entradas de Jerusalém, mas sua importância ia muito além de permitir a passagem. A cidade era cercada por muralhas, e os portões eram os pontos em que essa proteção podia ser aberta ou fechada. Por eles entravam moradores, visitantes e mercadorias. Por isso, quem cuidava dos portões ajudava a proteger a cidade e a organizar sua vida diária.
Dá pra perceber essa importância na época de Neemias. Depois que Jerusalém sofreu uma grande destruição, seus muros e portões ficaram arruinados. Reconstruí-los era uma necessidade pra que as pessoas pudessem viver ali com mais segurança. Neemias relata a restauração de vários portões e, quando a obra terminou, também foram designados porteiros para cuidar deles. Ele determinou que os portões não fossem abertos antes da hora e que fossem fechados e vigiados (Neemias 3; 7:1-3). Ou seja, não bastava levantar os muros: era preciso cuidar das entradas.
Os nomes de alguns portões ajudam a entender a vida da cidade. Neemias menciona, por exemplo, o Portão das Ovelhas, o Portão dos Peixes, o Portão da Fonte e o Portão da Água (Neemias 3). Os nomes apontam pra atividades ou lugares ligados àquelas entradas, embora nem sempre seja possível saber com certeza todos os detalhes. Também não devemos imaginar que cada portão citado na Bíblia pertencia à mesma muralha. Alguns eram entradas de outras áreas, como o templo ou o palácio.
Os portões também aparecem em acontecimentos importantes da história bíblica. Foi numa praça perto do Portão da Água que o povo se reuniu para ouvir Esdras ler e explicar a Lei de Deus (Neemias 8:1-8). Nesse caso, o portão nos ajuda a localizar a cena; o mais importante no relato é que o povo pôde ouvir e entender a Palavra de Deus. Já em Atos 3:1-10, Pedro e João encontram um homem que não podia andar junto à entrada do templo chamada Porta Formosa. Essa não era uma entrada da muralha da cidade, e sim do templo.
É por isso que precisamos de cuidado ao identificar os portões bíblicos com os que vemos hoje em Jerusalém. As muralhas foram destruídas e reconstruídas ao longo dos séculos. As atuais são muito posteriores à época de Neemias e de Jesus. Um portão moderno pode ter um nome parecido com o de um portão bíblico sem ser necessariamente o mesmo, no mesmo lugar.
A Bíblia ainda usa a imagem dos portões pra falar da cidade futura mostrada a João. Em Apocalipse 21, a Nova Jerusalém tem doze portões, com os nomes das doze tribos de Israel, e eles nunca são fechados. Ali, os portões fazem parte da descrição de uma cidade segura, onde Deus vive com seu povo.
Portanto, a importância dos portões de Jerusalém muda conforme a passagem: eles podiam ser essenciais pra segurança e a vida cotidiana da cidade, indicar onde ocorreu um acontecimento ou fazer parte de uma visão sobre o futuro. Entender de qual portão e de qual época o texto está falando ajuda a compreender melhor o que a Bíblia quer mostrar.