Porque há muitas maneiras de viver sem se voltar de verdade pra Deus. No fim do Sermão da Montanha, Jesus fala de duas portas e dois caminhos: o caminho largo, seguido por muitos, leva à destruição; o estreito leva à vida (Mateus 7:13-14). Ele não está dizendo que Deus deseja a destruição das pessoas. Está alertando que seguir a maioria, ou simplesmente fazer o que parece certo aos nossos próprios olhos, não garante que estamos no caminho da vida.
O restante do sermão ajuda a entender o aviso. Jesus mostra que não basta ter uma boa aparência religiosa. Uma pessoa pode evitar o assassinato e ainda alimentar ódio; pode praticar boas ações e, no fundo, querer apenas ser admirada (Mateus 5:21-22; 6:1). Mais adiante, ele diz que até alguém que o chama de “Senhor” pode não viver de acordo com a vontade de Deus (Mateus 7:21-23). O caminho largo, portanto, não é só o da pessoa que rejeita abertamente a Deus. Ele também pode incluir uma religião de aparência, sem confiança sincera em Jesus nem mudança de vida.
Isso não significa que entramos pela porta estreita por sermos bons o suficiente. O próprio ensino de Jesus mostra como precisamos da misericórdia de Deus. A salvação é um presente da graça, recebido pela fé, não uma recompensa pelas nossas obras (Efésios 2:8-9). E essa fé não é só uma declaração da boca pra fora: ela começa a transformar a maneira como vivemos (Efésios 2:10).
Então, por que a porta é larga? Porque é fácil continuar vivendo sem se render a Deus — seja ignorando-o, seja confiando na própria bondade ou numa aparência de fé. Jesus chama as pessoas a outro caminho: confiar nele, levar a sério o que ele ensina e segui-lo. A porta estreita não é uma porta reservada a pessoas perfeitas. É o caminho de quem reconhece que precisa dele.