Jesus estava saindo da Judeia, no sul, e indo pra Galileia, no norte. Samaria ficava entre as duas regiões, então passar por ali era um caminho direto. Mas a palavra “tinha” em João 4:4 parece ganhar um sentido maior quando lemos o que aconteceu durante a viagem. Jesus encontrou pessoas que precisavam conhecê-lo e, mais tarde, disse aos discípulos que estava fazendo a vontade do Pai (João 4:34).
Isso não quer dizer que Samaria fosse a única rota possível. Alguns judeus preferiam fazer um caminho mais longo, contornando a região. Havia uma antiga rivalidade religiosa entre judeus e samaritanos. Por isso, quando Jesus parou junto a um poço e pediu água a uma mulher samaritana, ela estranhou: ele era judeu e estava falando com ela, uma samaritana (João 4:7-9).
Jesus, porém, não a tratou como alguém a ser evitado. Conversou com ela sobre sua vida e sobre sua maior necessidade. A mulher tinha ido buscar água, mas Jesus lhe ofereceu algo que a água do poço não podia dar: vida eterna (João 4:10-14). Quando ela falou da esperança de que o Messias viria, Jesus lhe revelou que ele era o Messias (João 4:25-26).
A conversa não terminou ali. A mulher foi contar aos moradores da cidade o que tinha acontecido. Eles vieram ouvir Jesus, pediram que ficasse com eles, e muitos creram nele (João 4:28-30, 39-42). Assim, a passagem por Samaria levou a uma oportunidade que os discípulos talvez não esperassem.
Então, Jesus “tinha que passar por Samaria” por um motivo geográfico: era um caminho direto pra Galileia. E o restante do relato nos mostra o significado dessa viagem: ao passar por ali, Jesus fez a vontade do Pai e levou sua mensagem a pessoas que muitos judeus evitavam. A mulher samaritana e seus vizinhos também precisavam ouvir quem ele era.