Eram partes que se projetavam dos quatro cantos do altar, parecidas com chifres. Em Amós 3:14, Deus diz que as pontas do altar de Betel seriam cortadas e cairiam no chão. A ideia principal é clara: Deus julgaria aquele lugar de culto e acabaria com a confiança que o povo depositava nele.
Pra entender por quê, é bom saber o que acontecia em Betel. Depois que Israel se dividiu em dois reinos, o rei Jeroboão colocou ali um bezerro de ouro e estabeleceu um lugar de adoração, pra que o povo do reino do norte não precisasse ir a Jerusalém (1 Reis 12:26-33). Aquela prática misturava o culto ao Deus de Israel com uma imagem que ele não havia autorizado. Na época de Amós, Betel continuava sendo um centro religioso importante.
As pontas não eram exclusivas daquele altar. O altar que Deus mandou construir para o tabernáculo também tinha uma em cada canto (Êxodo 27:2). Elas faziam parte do altar e apareciam em alguns ritos com sangue (Levítico 4:7, 18). Mais tarde, há relatos de pessoas que se agarraram às pontas de um altar buscando proteção. Mas isso não garantia que ficariam livres das consequências do que tinham feito: Adonias foi poupado, enquanto Joabe não foi (1 Reis 1:50-53; 2:28-34).
Por isso, cortar as pontas pode também sugerir que não haveria proteção contra o julgamento de Deus. Essa é uma possibilidade, não algo que Amós explica diretamente. O que o texto afirma sem dúvida é que nem mesmo o altar de Betel seria poupado. No versículo seguinte, Deus diz que também destruiria as casas luxuosas do povo (Amós 3:15). Sua religião e sua riqueza não impediriam o julgamento.
Em poucas palavras: as pontas eram os “chifres” nos cantos do altar. Ao dizer que elas cairiam, Deus mostrava que o altar de Betel perderia qualquer aparência de segurança ou importância diante dele. O povo não podia continuar desobedecendo e esperar que aquele lugar de culto o protegesse.