A Bíblia conta que homens como Jacó, Davi e Salomão tiveram várias esposas. Isso pode causar estranheza: se Deus criou o casamento, por que permitiu a poligamia? A resposta começa com uma distinção importante: a Bíblia relatar uma prática não significa que Deus a aprove como ideal.
No começo de Gênesis, Deus une um homem e uma mulher. Ao falar do casamento, o texto diz que os dois se tornam uma só carne (Gênesis 2:24). Mais tarde, Jesus volta justamente a esse começo pra explicar o propósito de Deus para o casamento (Mateus 19:4-6). Esse é o modelo que orienta a maneira cristã de entender a união entre marido e mulher.
Mas, ao longo da história de Israel, existiram famílias com mais de uma esposa. A lei dada por Deus não mandava ninguém praticar a poligamia; ela estabelecia regras pra situações em que isso já acontecia. Por exemplo, protegia o direito de uma esposa que poderia ser deixada de lado e o direito de herança do filho de uma esposa menos amada (Êxodo 21:10; Deuteronômio 21:15-17). Essas regras não tornam a situação ideal. Elas impedem que pessoas numa situação difícil fiquem ainda mais desprotegidas.
Por que Deus permitiu isso por um tempo? A Bíblia não dá uma explicação direta. É possível que as condições sociais daquele tempo tenham influenciado essa permissão, mas não podemos afirmar que Deus permitiu a poligamia especificamente pra proteger mulheres ou aumentar a população. O que podemos afirmar é que ele pôs limites à prática e não a apresentou como seu plano original.
Os próprios relatos bíblicos mostram muitos dos problemas que surgiam nessas famílias: rivalidade entre as esposas de Jacó, sofrimento na família de Ana e Elcana e, no caso de Salomão, esposas que contribuíram pra afastá-lo de Deus (Gênesis 29–30; 1 Samuel 1; 1 Reis 11:1-4). Isso não quer dizer que todo problema dessas famílias veio apenas da poligamia, mas certamente não a apresenta como um modelo a seguir.
No Novo Testamento, Jesus aponta de volta pro casamento estabelecido no princípio. Paulo também ensina sobre a vida conjugal falando da união entre marido e esposa (Efésios 5:31-33). E, ao tratar dos líderes da igreja, exige que sejam homens de uma só mulher (1 Timóteo 3:2, 12). Essa exigência, sozinha, não explica toda a questão, mas combina com o quadro mais amplo das Escrituras.
Portanto, não é que Deus tenha mudado de ideia sobre o casamento. Ele lidou com uma prática existente entre seu povo, sem apresentá-la como o melhor caminho. Pra vida cristã, a orientação é buscar o modelo ao qual Jesus nos levou de volta: a união fiel de um homem e uma mulher.