As “presas do cão” representam o perigo que Davi enfrentava por causa de seus inimigos. Ele não estava pedindo a Deus que o livrasse de um animal. Estava dizendo, de um jeito forte e fácil de imaginar, que pessoas hostis o cercavam e podiam tirar sua vida.
O próprio salmo ajuda a entender isso. Pouco antes, Davi diz que “cães” o cercam e, na mesma passagem, fala de um grupo de malfeitores ao seu redor (Salmo 22:16). Ele também compara seus inimigos a touros e a um leão (Salmo 22:12-13). Cada animal ajuda a mostrar como ele se sentia diante dessas pessoas: ameaçado e sem conseguir escapar delas. Por isso, quando pede pra ser salvo da espada e das presas do cão, Davi está pedindo que Deus o livre de uma morte violenta (Salmo 22:20).
O salmo também tem uma ligação importante com Jesus. Na cruz, Jesus falou as palavras que abrem o Salmo 22: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mateus 27:46; Salmo 22:1). Os relatos da crucificação também mostram que suas roupas foram repartidas, como descreve o salmo (Salmo 22:18; João 19:23-24). Assim, o sofrimento de Davi, contado nesse salmo, também ajuda a compreender o sofrimento de Cristo.
Mas não precisamos concluir que as “presas do cão” sejam uma referência específica aos soldados romanos ou a outro grupo isolado. O sentido mais claro da expressão é este: Davi pede a Deus que o salve de inimigos capazes de matá-lo. Ao ler o salmo à luz da morte de Jesus, vemos também o Filho de Deus cercado por pessoas que queriam sua morte.