Hebreus 2:14 chama o diabo de aquele que tinha o poder da morte. Mas isso não significa que ele decide, por conta própria, quem vive e quem morre. A Bíblia apresenta Deus como Senhor da vida e da morte (Deuteronômio 32:39). O próprio Jesus, depois de ressuscitar, diz que tem autoridade sobre a morte (Apocalipse 1:18).
Então, em que sentido o diabo tinha esse poder? O contexto de Hebreus ajuda a entender. Logo depois, o texto diz que Jesus veio libertar pessoas que viviam escravizadas pelo medo da morte (Hebreus 2:15). E explica que ele se tornou humano para lidar com os pecados do povo (Hebreus 2:17). O pecado, a morte e o medo dela estão ligados nessa explicação.
Desde o começo, o diabo tentou levar as pessoas a desobedecer a Deus. Em Gênesis 3, ele enganou os primeiros seres humanos, e a desobediência trouxe a morte à experiência humana. Isso não quer dizer que o diabo tenha poder independente sobre toda morte. Quer dizer que ele age por meio do engano e da tentação num mundo em que o pecado e a morte se tornaram realidade. Paulo também liga a entrada do pecado à entrada da morte em Romanos 5:12.
O caso de Jó mostra um limite importante. Satanás pôde causar sofrimento e morte na família de Jó, mas não pôde fazer tudo o que queria: Deus o proibiu de tirar a vida do próprio Jó (Jó 1–2). Portanto, Hebreus não está dizendo que o diabo é tão poderoso quanto Deus.
A boa notícia de Hebreus 2:14 é que Jesus venceu aquilo que o diabo usava contra nós. Jesus se tornou humano e morreu para tratar dos nossos pecados. Depois, ressuscitou. Por isso, quem pertence a Cristo ainda pode enfrentar a morte física, mas não precisa vê-la como o fim: tem a promessa da ressurreição e da vida com Deus (1 Coríntios 15:20–26). O diabo tinha poder ligado à morte; Jesus veio libertar as pessoas desse domínio e do medo que ele causava.