Nem a pobreza nem a riqueza tornam alguém mais próximo de Deus. Uma pessoa pode ter pouco e confiar nele; outra pode ter muito e usar o que tem pra ajudar os outros. Também pode acontecer o contrário. O que mais importa não é quanto dinheiro a pessoa possui, mas a importância que dá a ele e o que faz com o que recebeu.
Isso não quer dizer que a situação financeira não tenha efeito na vida espiritual. Jesus mostrou que a riqueza pode ser um obstáculo. Um homem rico queria saber o que precisava fazer pra receber a vida eterna. Jesus lhe disse que vendesse seus bens, desse aos pobres e o seguisse. Ele foi embora triste, porque tinha muitos bens (Marcos 10:17-22). O problema não era simplesmente ter dinheiro. Naquele encontro, ficou claro que ele não estava disposto a abrir mão da riqueza pra seguir Jesus. Logo depois, Jesus falou de como é difícil pra quem confia nas riquezas entrar no Reino de Deus (Marcos 10:23-27).
A pobreza também não torna ninguém espiritualmente melhor. Faltar dinheiro pode trazer sofrimento, preocupação e tentações. Por isso, Provérbios 30:8-9 apresenta um pedido equilibrado: não ter nem pobreza nem riqueza, mas o necessário pra viver. A ideia é não se esquecer de Deus por achar que não precisa dele, nem ser levado pelo desespero da falta.
A Bíblia, portanto, não ensina que ficar rico seja sinal certo da aprovação de Deus, nem que ser pobre seja castigo por algum pecado. Quando os discípulos de Jesus viram um homem que tinha nascido cego, perguntaram quem havia pecado pra aquilo acontecer. Jesus rejeitou essa explicação (João 9:1-3). Não devemos olhar pra dificuldade de alguém e concluir que sabemos por que ela está passando por aquilo. Ao mesmo tempo, não devemos usar a fé pra tratar a pobreza como algo bom em si ou deixar de ajudar quem precisa. Deus manda cuidar dos necessitados (Deuteronômio 15:7-11; Tiago 2:15-16).
Paulo dá uma orientação que serve tanto pra quem tem muito quanto pra quem tem pouco: aprender a viver contente com o necessário e tomar cuidado com o desejo de enriquecer a qualquer custo. Ele alerta que o amor ao dinheiro pode levar uma pessoa a se afastar da fé (1 Timóteo 6:6-10). E, ao falar diretamente com os ricos, não manda que todos deixem de possuir bens. Manda que não sejam orgulhosos, que não ponham sua esperança na riqueza e que sejam generosos (1 Timóteo 6:17-19).
Então, se a pergunta é qual das duas condições é *espiritualmente melhor*, a resposta é: nenhuma, por si só. É melhor confiar em Deus do que no dinheiro, viver com gratidão e repartir com quem precisa. Quem tem pouco não é menos amado por Deus. Quem tem muito não deve achar que, por isso, está bem com ele. Em qualquer situação, seguir Jesus vale mais do que aquilo que uma pessoa tem.