A Bíblia não diz, em uma ordem direta, que toda igreja precisa ter pelo menos dois presbíteros. Mas, quando mostra como os apóstolos organizaram as igrejas, ela aponta repetidamente pra uma liderança compartilhada entre vários presbíteros. Por isso, há uma base bíblica forte pra uma igreja buscar esse modelo, sem concluir que uma igreja com apenas um pastor esteja, por esse motivo, desobedecendo a uma ordem expressa.
Presbíteros são homens encarregados de cuidar da igreja, ensinar a Palavra e supervisionar a comunidade. O Novo Testamento também usa a palavra *bispos* no sentido de supervisores. Em Atos 20, por exemplo, Paulo chama os presbíteros da igreja de Éfeso e lhes diz que o Espírito Santo os colocou como supervisores, com a tarefa de pastorear a igreja (Atos 20:17, 28). Isso ajuda a entender por que falar em vários presbíteros não significa, necessariamente, colocar um grupo de líderes acima do pastor. O trabalho de pastorear faz parte da responsabilidade desses líderes.
O exemplo das primeiras igrejas é significativo. Paulo e Barnabé designaram presbíteros nas igrejas que haviam formado (Atos 14:23). Mais tarde, Paulo orientou Tito a estabelecer presbíteros em cada cidade de Creta onde havia comunidades cristãs (Tito 1:5). A igreja de Jerusalém também tinha presbíteros (Atos 15:2, 6), e Paulo chamou os presbíteros da igreja de Éfeso pra conversar com eles (Atos 20:17). Em todos esses casos, a liderança é apresentada no plural.
As cartas do Novo Testamento seguem a mesma direção. Paulo cumprimenta os supervisores e diáconos em Filipos (Filipenses 1:1). Ao orientar Timóteo, ele fala dos presbíteros que dirigem bem a igreja e destaca aqueles que se dedicam à pregação e ao ensino (1 Timóteo 5:17). O fato de alguns se dedicarem especialmente a essas tarefas mostra que pode haver diferenças de atuação entre os presbíteros, sem que apenas um deles seja responsável por tudo.
Ao mesmo tempo, é bom não exigir desses textos mais do que eles dizem. Eles não estabelecem um número mínimo de presbíteros nem detalham como cada igreja deve dividir as responsabilidades. Também não proíbem expressamente que uma igreja ainda tenha apenas um pastor, por exemplo, enquanto procura outros homens qualificados pra servir nessa função. E a Bíblia não trata a escolha de presbíteros como uma simples questão de quantidade: eles precisam ter o caráter e a capacidade de ensinar descritos em 1 Timóteo 3:1-7 e Tito 1:6-9.
Então, a resposta é esta: a pluralidade de presbíteros é o padrão que aparece com força no Novo Testamento, embora não venha acompanhada de uma ordem explícita aplicável a toda situação. É um padrão que vale a pena buscar. Quando a responsabilidade é compartilhada, os líderes podem aconselhar uns aos outros, prestar contas e cuidar melhor da igreja. Mas ter vários presbíteros, por si só, não garante uma liderança saudável; eles também precisam servir com fidelidade a Cristo e à sua Palavra.