É o uso de algumas ideias do filósofo grego Platão, e de pensadores que vieram depois dele, pra explicar a fé cristã. Não é uma religião diferente nem significa aceitar tudo o que Platão ensinou. Ao longo da história, alguns cristãos acharam certas ideias dele úteis, mas também precisaram rejeitar outras porque não combinavam com a Bíblia.
Platão viveu séculos antes de Jesus. Uma de suas ideias mais conhecidas era que aquilo que vemos e tocamos não é toda a realidade. Essa ideia chamou a atenção de cristãos porque a Bíblia também fala de coisas que não podemos ver. Paulo, por exemplo, diz que aquilo que vemos é passageiro, enquanto o que não vemos é eterno (2 Coríntios 4:18).
A semelhança, porém, tem um limite importante. Paulo não estava dizendo que o mundo material é ruim ou que precisamos escapar do corpo. A Bíblia diz que Deus criou o mundo e considerou sua criação muito boa (Gênesis 1:31). Diz também que Jesus se tornou humano, ressuscitou e que os que pertencem a ele aguardam a ressurreição (João 1:14; Lucas 24:39; 1 Coríntios 15). Portanto, a esperança cristã não é abandonar o corpo pra sempre, mas viver com Deus depois que ele nos ressuscitar.
Um exemplo importante dessa aproximação com Platão foi Agostinho, um cristão que viveu entre os séculos IV e V. A leitura de pensadores ligados ao platonismo o ajudou a pensar sobre Deus como alguém que não é feito de matéria e sobre o mal como a perda ou a corrupção do bem, não como uma coisa criada por Deus da mesma maneira que uma pedra ou uma árvore. Mas Agostinho também reconheceu que aquela filosofia não podia lhe dar o centro da fé cristã: Jesus Cristo, o perdão dos pecados e a salvação pela graça de Deus.
Essa história mostra tanto a utilidade quanto o risco do platonismo cristão. Uma ideia filosófica pode ajudar a formular uma pergunta ou a explicar melhor um ensinamento. Mas ela não deve decidir de antemão o que um texto bíblico pode dizer. Por exemplo, o fato de a Bíblia falar de realidades invisíveis não significa que toda passagem tenha um sentido secreto escondido por trás do que ela diz. É preciso prestar atenção ao contexto e ao que o autor bíblico está ensinando.
Em resumo, platonismo cristão é a influência de ideias de Platão na maneira como alguns cristãos explicaram sua fé. Essa influência faz parte da história da igreja, mas Platão não é a fonte da fé cristã. Suas ideias podem ser examinadas e até usadas quando ajudam; quando entram em conflito com o ensino bíblico, precisam ser deixadas de lado.