A principal questão para um cristão é que a Planned Parenthood oferece cuidados de saúde, mas também realiza abortos. Esses serviços não devem ser tratados como se fossem a mesma coisa. É possível reconhecer que exames, atendimento médico e ajuda a mulheres em situação difícil são importantes sem, por isso, aprovar o aborto.
A Bíblia não menciona a Planned Parenthood nem apresenta uma regra específica sobre organizações de saúde. Ela, porém, ensina que toda pessoa tem valor diante de Deus, foi criada à sua imagem e deve ser tratada com cuidado (Gênesis 1:27; Tiago 3:9). Também proíbe tirar a vida de um inocente (Êxodo 20:13). Passagens como Salmo 139:13-16 mostram que a vida antes do nascimento importa para Deus. Por essas razões, muitos cristãos entendem que devem proteger também a criança ainda não nascida e, portanto, se opõem ao aborto provocado.
Isso pesa na avaliação da Planned Parenthood. Um cristão que considera o aborto moralmente errado tem motivos sérios para não financiar nem promover uma organização que o realiza, mesmo que ela também ofereça serviços úteis. Reconhecer o valor de um exame de saúde não obriga ninguém a apoiar tudo o que a instituição faz.
Ao mesmo tempo, é importante ser preciso. A Bíblia não diz que receber um atendimento médico numa instituição significa aprovar todas as atividades dela. Também não autoriza julgar automaticamente o coração de cada paciente ou funcionário. As situações de gravidez podem envolver medo, pressão, pobreza e problemas médicos graves. O cristão deve defender suas convicções sem deixar de ouvir, acolher e oferecer ajuda concreta à mulher e à criança (Provérbios 31:8-9; Tiago 2:15-16).
Há críticas à história da organização e às ideias de sua fundadora, Margaret Sanger, especialmente por sua ligação com a eugenia, que classificava certas pessoas como menos desejáveis para ter filhos. É justo examinar essa história. Mas não é preciso depender de acusações históricas ou de números discutíveis para responder à pergunta. O ponto decisivo já está claro: como avaliar uma organização que realiza abortos à luz da convicção cristã sobre o valor da vida humana?
Assim, um cristão pode reconhecer os serviços de saúde que beneficiam pessoas e, ainda assim, se recusar a apoiar a prática do aborto pela Planned Parenthood. E sua resposta não deve parar na oposição: ela precisa incluir cuidado real com mulheres grávidas, crianças e famílias que precisam de ajuda.