A resposta depende de uma distinção importante: evitar que o óvulo seja fecundado não é a mesma coisa que interromper uma gravidez. A chamada “pílula do dia seguinte” é usada depois da relação sexual pra tentar evitar uma gravidez. Mas existem medicamentos diferentes chamados de contracepção de emergência, e não é correto dizer que todos agem do mesmo jeito.
O Plano B é uma pílula que contém *levonorgestrel*. Sua principal ação é impedir ou atrasar a ovulação — a liberação do óvulo. Sem óvulo disponível, o espermatozoide não pode fecundá-lo. Essa pílula não interrompe uma gravidez já estabelecida, e as evidências disponíveis não mostram que ela impeça a implantação de um embrião. Por isso, não há boa base pra afirmar que tomar Plano B seja o mesmo que provocar um aborto. Ela funciona melhor quanto antes for tomada, especialmente nos primeiros três dias; sua eficácia diminui com o tempo.
Existem também outros métodos de contracepção de emergência, como a pílula de *ulipristal* e o dispositivo intrauterino de cobre, conhecido como DIU. Eles não devem ser confundidos com o Plano B. Também não devem ser confundidos com medicamentos usados pra interromper uma gravidez. Como suas ações e indicações são diferentes, vale identificar qual método está sendo considerado, em vez de dar a mesma resposta pra todos.
E o que a Bíblia diz? Ela não fala da pílula do dia seguinte. Ela ensina que a vida humana tem valor diante de Deus e trata com seriedade a vida da criança ainda no ventre materno (Salmo 139:13-16; Jeremias 1:5). Esses textos nos dão uma razão importante pra proteger a vida, mas não explicam o mecanismo de um contraceptivo nem resolvem, por si só, cada dúvida sobre os primeiros momentos depois da fecundação. Por outro lado, impedir que óvulo e espermatozoide se encontrem não é interromper a vida de um embrião.
Assim, não há fundamento bíblico ou médico suficiente pra condenar o uso do Plano B como se fosse um aborto. Isso não significa que toda situação envolvendo sexo e gravidez seja simples. Se a relação foi consensual, as escolhas feitas antes dela também merecem ser consideradas à luz da fé cristã; ainda assim, uma pessoa não deve receber uma informação errada sobre o remédio. Se houve violência sexual, a mulher não tem culpa pela agressão e deve receber cuidado e ajuda sem demora.
Se a dúvida envolve uma situação recente, procure um profissional de saúde o quanto antes. Ele pode explicar qual medicamento está disponível, o prazo de uso e o que fazer de acordo com as circunstâncias.